Manuel Valamatos alerta para reconstrução lenta e apoios insuficientes
CIM do Médio Tejo considera ultrapassada a fase mais crítica, mas avisa que continuam por recuperar estradas, pontões, taludes e redes de telecomunicações. Os municípios reclamam mais apoios para enfrentar prejuízos que ainda pesam sobre o território.
A normalidade regressou à maior parte do Médio Tejo, mas as marcas deixadas pela tempestade Kristin e pelas cheias continuam visíveis em estradas, pontões, taludes e redes de telecomunicações. Seis meses depois, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo alerta para intervenções ainda por concluir e para a insuficiência dos apoios destinados aos municípios e às empresas atingidas. O presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Valamatos, considera que a região entrou numa fase de “recuperação e consolidação”, depois de terem sido repostas as condições essenciais à vida das populações, nomeadamente nas habitações permanentes e no abastecimento de água e energia.
Segundo Manuel Valamatos, os impactos da tempestade foram particularmente graves em Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar. Já as cheias atingiram sobretudo os municípios ribeirinhos de Abrantes, Constância, Mação e Vila Nova da Barquinha. A recuperação da rede viária é actualmente uma das maiores preocupações. Permanecem estradas municipais danificadas, algumas vias nacionais por intervencionar e pontões e taludes que necessitam de obras. Também as telecomunicações continuam longe de estar totalmente restabelecidas. “Existem muitas situações de linhas de comunicações que estão caídas e ainda muitos postes que suportam as linhas de comunicação que estão em baixo”, denunciou o presidente da CIM.
Apesar dos problemas ainda existentes, Manuel Valamatos elogiou a articulação entre municípios, Governo, Protecção Civil e restantes entidades durante a resposta à emergência, considerando que a coordenação foi “muito eficaz”. O autarca reconhece também uma evolução positiva nos apoios destinados à recuperação de habitações permanentes, mas considera que continuam a faltar mecanismos capazes de compensar integralmente os municípios e as empresas mais afectadas. “O que queremos é que rapidamente possam ser reforçados os apoios financeiros ou que abram linhas, sobretudo de programas europeus, capazes de fazer face à destruição”, afirmou.
A CIM defende que os prejuízos provocados pelas cheias devem beneficiar de apoios semelhantes aos disponibilizados para os estragos causados pela tempestade Kristin. O objectivo é que futuros programas financiados por fundos europeus possam comparticipar as obras ainda em falta. Para Manuel Valamatos, a dimensão dos danos demonstrou que o território terá de se preparar melhor para fenómenos meteorológicos extremos. Estradas, pontões, redes eléctricas e telecomunicações terão de ser reconstruídos com soluções mais robustas e capazes de resistir a novos episódios de mau tempo.


