Política | 31-07-2026 12:00

Chamusca tem casas vazias e famílias a viver em imóveis degradados

Chamusca tem casas vazias e famílias a viver em imóveis degradados
Nuno Mira - foto O MIRANTE

Chamusca tem casas municipais vazias, famílias a viver em imóveis degradados e cerca de 1.500 edifícios abandonados ou em ruínas. A situação da Casa do Médico, no Pinheiro Grande, voltou a colocar a habitação no centro do debate político.

A Casa do Médico, no Pinheiro Grande, voltou a expor um problema que o município da Chamusca ainda está a medir: há património público desocupado, famílias instaladas em casas degradadas e falta de habitação para fixar jovens e trabalhadores no concelho. O assunto foi levantado pelos vereadores da oposição na reunião de câmara de quarta-feira, 15 de Julho. Questionado sobre a requalificação da Casa do Médico, Nuno Mira esclareceu que o edifício pertence à União de Freguesias da Chamusca e Pinheiro Grande e enquadrou a intervenção num levantamento ao parque habitacional. “Temos casas do município onde não habita ninguém. E temos casas, onde habitam pessoas, que estão muito degradadas”, afirmou, garantindo que, concluído o diagnóstico, a autarquia pretende recuperar também aquele imóvel.
A Casa do Médico já serviu de resposta a uma emergência. Em 2021 acolheu temporariamente Alberto Trincão, morador do Pinheiro Grande que perdeu a habitação num incêndio, num processo que gerou um conflito entre a câmara e a junta sobre a utilização e propriedade do edifício. Em entrevista recente a O MIRANTE, Nuno Mira admitiu que o concelho tem cerca de 1.500 imóveis abandonados ou em ruínas e mais de 800 segundas habitações. Reconheceu ainda que há casas municipais fechadas há vários anos e revelou que 13 apartamentos do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana aguardam obras ao abrigo de um protocolo que permite ao município avançar com a requalificação.
A habitação foi colocada entre as prioridades do orçamento municipal para 2026, que prevê a manutenção de fogos sociais, a conclusão dos loteamentos do Pinheiro Grande e da Parreira e a criação de um regulamento de incentivo à recuperação de imóveis devolutos. O executivo quer ainda recuperar e alargar a Área de Reabilitação Urbana, entretanto caducada, para devolver benefícios fiscais a quem invista na regeneração do edificado.
A Chamusca tem uma Estratégia Local de Habitação aprovada desde Fevereiro de 2022, mas continuava em 2024 sem acordo formalizado com o IHRU no âmbito do programa 1.º Direito. Nuno Mira fez entretanto da habitação uma das bandeiras para fixar jovens, defendendo o aproveitamento de fundos comunitários para construir casas a custos controlados.

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