Política | 31-07-2026 10:00

Confronto político em Santarém por causa da propaganda partidária no espaço público

Confronto político em Santarém por causa da propaganda partidária no espaço público
Presidente da Câmara de Santarém quer regulamentar a afixação de cartazes no espaço público em certas zonas da cidade - foto O MIRANTE

O PCP de Santarém reagiu à intenção, anunciada pelo presidente da Câmara de Santarém, de querer disciplinar a afixação de propaganda política em certas zonas da cidade. Os comunistas falam em ataque à liberdade de expressão. O presidente do município rejeita e diz que se trata de combater a poluição visual e dignificar o espaço público.

O PCP de Santarém acusou o presidente da Câmara de Santarém, João Leite (PSD), de querer restringir a liberdade de expressão ao pretender regulamentar a afixação de propaganda política em espaço público, acusação que o autarca rejeita. Tal como O MIRANTE já noticiou, João Leite considera que não se deve aceitar a degradação da paisagem urbana, a ocupação desordenada do espaço público ou situações que possam criar constrangimentos à circulação de peões, em nome da propaganda política distribuída pela cidade em grandes painéis, afirmando que pretende sensibilizar as forças partidárias para essa realidade.
Em comunicado, a Comissão Concelhia de Santarém do PCP reagiu considerando “inaceitável a tentativa do presidente da Câmara Municipal de Santarém” e da maioria social-democrata de “restringir a actividade política e partidária na cidade e no concelho, a coberto de uma alegada ‘poluição visual’ provocada pelos cartazes de grandes dimensões”.
A estrutura concelhia comunista compara a situação em Santarém a iniciativas anteriormente defendidas pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e pelo ex-autarca do Porto, Rui Rio, que procuraram limitar a propaganda política em espaço público. O PCP rejeita o argumento da poluição visual e sustenta que esse problema resulta antes de opções urbanísticas “tomadas ao longo dos anos pela gestão social-democrata do município”. E aponta como exemplos a falta de reabilitação de edifícios no centro histórico e das barreiras do planalto de Santarém, bem como a construção de empreendimentos que consideram ter forte impacto paisagístico.
Entre os casos referidos pelo PCP estão o hotel em construção junto à Rotunda Bernardo Santareno, um projecto imobiliário em Vale de Estacas e a recente edificação de um prédio no bairro do Sacapeito, numa área que, segundo o partido, deveria ter sido destinada a espaço verde de utilização pública.

João Leite: “Santarém é, e continuará a ser, uma terra de liberdade”
Em resposta às críticas e num texto enviado à Lusa, o presidente da Câmara de Santarém considerou prematuro o comunicado do PCP, sublinhando que a proposta em análise ainda não foi formalmente apresentada nem discutida publicamente. Segundo João Leite, o objectivo passa por “dignificar o espaço público, melhorar a acessibilidade, reduzir a poluição visual e criar um enquadramento regulamentar” que contribua para uma imagem mais qualificada e harmoniosa do concelho.
O autarca rejeitou qualquer intenção de limitar a actividade dos partidos políticos ou a liberdade de expressão. “Santarém é, e continuará a ser, uma terra de liberdade”, afirmou, considerando que as críticas do PCP surgem antes de ser conhecido o conteúdo da proposta.
João Leite defendeu que a regulamentação pretende encontrar um equilíbrio entre o direito à divulgação de mensagens políticas e o direito dos cidadãos a usufruírem de um espaço público “organizado, acessível e cuidado”, numa altura em que existem múltiplos canais de comunicação, nomeadamente através das plataformas digitais.

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