Câmara da Almeirim chumba divulgação dos apoios aos bombeiros porque já tinha dado informação
Socialistas entendem que já tinham prestado todas as informações que competia à câmara.
A proposta para a prestação de informação sobre os apoios concedidos à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almeirim, da vereadora da oposição Maria Bernardina Andrada, foi rejeitada na reunião ordinária do executivo municipal de 3 de Agosto. A maioria socialista votou contra porque já tinha prestado as informações que estão no protocolo e a direcção dos bombeiros também já tinha entregado o relatório de contas.
A proposta, que subiu à reunião de câmara ao abrigo do direito de informação dos vereadores, pretendia obrigar a autarquia a certificar o montante global de todos os apoios atribuídos à associação nos últimos dez anos, discriminados por ano e por natureza. Maria Bernardina Andrada exigia ainda saber que documentos foram apresentados para fundamentar cada subsídio, quem fez a análise técnica dos mesmos e se existem relatórios de acompanhamento, auditoria ou fiscalização financeira nas gavetas do município. Mas os socialistas entendem que já tinham prestado todas as informações que competia à câmara.
Os números constantes das contas do município revelam a enorme dependência financeira da associação face aos cofres da autarquia. No exercício de 2024, o protocolo geral com a AHBVA cifrou-se em cerca de 400 mil euros, aos quais se somaram verbas para as Equipas de Intervenção Permanente (EIP) e mais de 109 mil euros em apoios de capital para a aquisição de viaturas e equipamentos operacionais. Já em 2025, o protocolo de cooperação anual disparou para os 499.999,92 euros.
Na fundamentação do documento rejeitado, a vereadora da oposição sublinhava que a fiscalização "não representa uma desconfiança relativamente à Associação" nem põe em causa o mérito da sua missão humanitária, mas constitui um "dever institucional" e uma exigência de boa administração, dado o volume de verbas públicas envolvido.


