Recusada divulgação de apoios e contas dos Bombeiros Voluntários de Almeirim
A corporação, presidida pelo ex-presidente da câmara, Pedro Ribeiro, que acumulava os dois cargos, tem cada vez mais uma forte dependência do município, com o apoio a disparar para quase meio milhão de euros, em 2025.
A maioria socialista da Câmara de Almeirim rejeitou a proposta de deliberação apresentada pela vereadora da coligação PSD/CDS-PP/IL, na oposição, Maria Bernardina Andrada, que visava reforçar a transparência e a fiscalização dos apoios financeiros concedidos pelo município à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almeirim. A decisão surge numa altura em que as transferências públicas para a corporação atingem quase meio milhão de euros.
A proposta, que subiu à reunião de câmara ao abrigo do direito de informação dos vereadores, pretendia obrigar a autarquia a certificar o montante global de todos os apoios atribuídos à associação nos últimos dez anos, discriminados por ano e por natureza. Maria Bernardina Andrada exigia ainda saber que documentos foram apresentados para fundamentar cada subsídio, quem fez a análise técnica dos mesmos e se existem relatórios de acompanhamento, auditoria ou fiscalização financeira nas gavetas do município.
Na base da iniciativa da vereadora esteve um pedido de informação complementar enviado directamente à direcção da AHBVA, há cerca de dois meses, solicitando esclarecimentos sobre a estrutura de custos da instituição — nomeadamente despesas com pessoal, fornecedores e prestadores de serviços externos. A autarca decidiu também confrontar o executivo camarário liderado por Joaquim Catalão, sendo que os bombeiros entretanto, entregaram à vereadora o relatório de contas e as várias informações pretendidas.
Os números constantes das contas do município revelam a enorme dependência financeira da associação face aos cofres da autarquia. No exercício de 2024, o protocolo geral com a AHBVA cifrou-se em cerca de 400 mil euros, aos quais se somaram verbas para as Equipas de Intervenção Permanente (EIP) e mais de 109 mil euros em apoios de capital para a aquisição de viaturas e equipamentos operacionais. Já em 2025, o protocolo de cooperação anual disparou para os 499.999,92 euros.
Na fundamentação do documento rejeitado, a vereadora da oposição sublinhava que a fiscalização "não representa uma desconfiança relativamente à Associação" nem põe em causa o mérito da sua missão humanitária, mas constitui um "dever institucional" e uma exigência de boa administração, dado o volume de verbas públicas envolvido.


