Rui Martinho provoca discussão política na Chamusca mas depois não tem argumentos para as suas acusações
Vereador do movimento Primeiro a Nossa Terra começou por acusar Nuno Mira de tentar passar para a opinião pública a ideia de que a oposição só quer “botar abaixo”, mas, confrontado com exemplos concretos, recuou e admitiu que não tem “culpa no cartório”. Não é a primeira vez que uma reunião do executivo da Chamusca troca a política e a gestão municipal por episódios de confronto e acusações pessoais.
O vereador Rui Martinho, eleito pelo movimento Primeiro a Nossa Terra (PNT), protagonizou mais um momento caricato na reunião da Câmara da Chamusca, realizada na quarta-feira, 19 de Agosto. O autarca pediu a palavra para se queixar da imagem que, no seu entender, é passada para fora das reuniões sobre a actuação dos dois vereadores do movimento, mas acabou por reconhecer, depois de questionado, que afinal a maioria que governa o município não tem responsabilidade nessa matéria.
Rui Martinho começou por assegurar que as intervenções dos vereadores do PNT não têm como objectivo “botar abaixo”, acrescentando que essa é uma ideia que o presidente da câmara, Nuno Mira, “por vezes tenta fazer passar lá para fora”. Segundo o vereador, a intenção do seu movimento é contribuir para que o executivo tome melhores decisões e alertar para matérias que considera importantes para o concelho. A afirmação levou o vice-presidente da câmara, Rui Ferreira, a pedir exemplos concretos de situações em que o executivo ou os seus membros tivessem contribuído para denegrir a imagem dos vereadores do PNT. Perante a pergunta, Rui Martinho não conseguiu apontar qualquer caso objectivo e acabou por mudar o sentido inicial da intervenção. Disse que a maioria “não tem culpas no cartório” e que são outras pessoas que se encarregam de fazer passar essa imagem. A contradição não passou despercebida a Nuno Mira. O presidente da câmara encerrou a discussão afirmando ter “achado engraçado” que Rui Martinho tivesse começado a intervenção a responsabilizá-lo pela imagem transmitida para o exterior e terminado a reconhecer que, afinal, o presidente e a maioria não têm culpa nenhuma.
Em Março deste ano, uma questão relacionada com a reparação de uma viatura municipal acabou transformada num confronto entre Rui Martinho e Nuno Mira, com acusações de mentira, falta de seriedade e referências a episódios ocorridos antes das eleições autárquicas. Nessa reunião, Rui Martinho questionou a escolha de uma oficina para reparar uma viatura municipal, deixando implícita uma suspeita de favorecimento por o proprietário ter sido mandatário da candidatura de Nuno Mira. O presidente rejeitou qualquer tratamento preferencial e a discussão rapidamente descambou para acusações pessoais de parte a parte, afastando-se da questão administrativa que lhe tinha dado origem.


