Vereador Gameiro insiste que contrato de comunicação em Benavente é duvidoso
O vereador socialista Pedro Gameiro voltou a questionar a contratação de assessoria estratégica externa pela Câmara de Benavente e diz manter “sérias dúvidas” sobre o processo. A presidente justifica a opção com os novos investimentos previstos para o concelho e com a falta de recursos humanos no gabinete municipal.
O vereador do PS na Câmara de Benavente, Pedro Gameiro, anunciou que vai remeter para a Polícia Judiciária (PJ) ou para o Ministério Público o contrato de assessoria estratégica de comunicação celebrado pelo município com a empresa Barata, Villalobos & Associados, Lda, no valor de 84.255 euros, para que seja feita uma averiguação. O socialista voltou ao assunto em reunião de câmara, depois de já ter questionado anteriormente a necessidade da contratação de uma empresa externa para essa área. Pedro Gameiro considera que a câmara dispõe de um departamento de comunicação que funciona adequadamente e voltou a pedir à presidente do município, Sónia Ferreira (PSD), que explicasse os fundamentos para a opção tomada.
Pedro Gameiro recordou que, numa resposta anterior, Sónia Ferreira tinha argumentado que outras câmaras municipais recorriam a contratos semelhantes. O vereador disse ter procurado confirmar essa informação junto de autarcas que conhece, afirmando não ter encontrado situações idênticas. O eleito socialista referiu ainda que o assunto já tinha sido levantado na Assembleia Municipal de Benavente, onde, segundo afirmou, outros eleitos questionaram a presidente sobre uma eventual ligação entre a empresa contratada e responsáveis pela campanha eleitoral da coligação PSD/CDS nas últimas eleições autárquicas.
Pedro Gameiro anunciou inicialmente que seria a última vez que colocaria a questão em reunião de câmara e que aguardava um esclarecimento definitivo. Depois de ouvir a resposta da presidente, voltou ao tema, considerando que os resultados do executivo não correspondem à estratégia que Sónia Ferreira afirma ter para o desenvolvimento do concelho.
O vereador apontou como exemplos problemas que considera persistirem, entre os quais as queixas apresentadas por munícipes, as dificuldades na recolha de resíduos urbanos e a falta de creches. Declarou que o contrato continua a suscitar-lhe “sérias dúvidas” enquanto vereador e anunciou que o enviará para apreciação das entidades competentes, designadamente a PJ ou o Ministério Público, para que seja averiguado.
Presidente considera “surreal” a ideia de que contrato seja caso único no país
Sónia Ferreira defendeu a contratação alegando que o actual executivo tem uma estratégia própria para o desenvolvimento do concelho e que os investimentos perspectivados exigem uma comunicação estruturada. A presidente apontou a proximidade do futuro novo aeroporto, as novas áreas empresariais e os projectos recentemente aprovados como factores que, no seu entendimento, justificam essa necessidade. Acrescentou que o gabinete de comunicação da câmara conta actualmente com quatro trabalhadores, número que considera insuficiente para responder às necessidades do município, e que alguns funcionários foram, entretanto, afectos a outros serviços.
A autarca rejeitou também a ideia de que se esteja perante um contrato sem paralelo noutras autarquias, classificando essa afirmação como “surreal”. Sónia Ferreira concluiu que, ao fim de nove meses de mandato, o facto de este contrato constituir uma das principais críticas dirigidas ao executivo demonstra, na sua opinião, que tem sido realizado muito trabalho positivo.


