Entroncamento mexe no orçamento e oposição questiona cortes no social e desporto
Alteração orçamental de 355 mil euros motivou críticas da oposição, que questionou a redução de verbas em áreas ligadas à educação, saúde, desenvolvimento social, juventude e desporto, ao mesmo tempo que o Festival do Vapor recebe mais 25 mil euros.
Uma nova alteração ao orçamento da Câmara Municipal do Entroncamento voltou a levantar críticas da oposição, sobretudo pela redistribuição de verbas que reduz dotações em áreas sociais e desportivas e reforça despesas com cultura e sistemas informáticos. Durante a discussão da alteração orçamental, a vereadora Maria João Grácio, eleita pela coligação PPD/PSD.CDS-PP, questionou a redução das verbas numa área que integra educação, saúde e desenvolvimento social, bem como o corte de cerca de 24 mil euros nas rubricas destinadas à juventude e ao desporto, com impacto em áreas como as férias desportivas e as instalações municipais. Em sentido contrário, o Festival do Vapor, que este ano decorre sob o tema “Loucos Anos 20”, recebeu um reforço de 25 mil euros. Maria João Grácio sublinhou não estar contra o investimento municipal na cultura, mas considerou necessário explicar as prioridades assumidas pelo executivo. A vereadora quis ainda saber qual será o custo total do festival e que retorno económico é esperado para o concelho.
O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, explicou que o reforço agora aprovado coloca a verba destinada ao Festival do Vapor ao mesmo nível do ano passado, num total de 120 mil euros. Quanto ao retorno económico, admitiu não existir uma estimativa concreta, recordando, contudo, que a edição anterior terá recebido cerca de cinco mil visitantes. O autarca afirmou ainda que o município pretende aumentar a dimensão e a notoriedade do evento, com o objectivo de transformar o Festival do Vapor numa iniciativa de projecção nacional. Outro dos pontos contestados pela oposição foi o reforço de cerca de 21 mil euros destinado à aquisição de software. Maria João Grácio defendeu que existem outras áreas de intervenção municipal que deveriam merecer prioridade em relação aos sistemas informáticos de gestão administrativa.
Nelson Cunha rejeitou, no entanto, que estejam em causa verdadeiros cortes nas áreas sociais e educativas. Segundo o presidente da autarquia, trata-se de uma redistribuição interna de verbas, retirando dotações de determinadas rubricas e transferindo-as para outras dentro das mesmas áreas de intervenção. A alteração orçamental, no valor de 355.242 euros e sem alteração da dotação global da despesa municipal, foi aprovada por maioria, com as abstenções do PS e da coligação PPD/PSD.CDS-PP. Entre os reforços previstos estão ainda verbas para software, cobertura de viaturas das novas oficinas municipais, aquisição de contentores e conclusão do loteamento da Quinta de Santo António.


