Política | 26-09-2026 15:00

Oposição chumba reorganização dos serviços da Câmara do Entroncamento

Oposição chumba reorganização dos serviços da Câmara do Entroncamento
- foto DR

Executivo liderado pelo Chega queria aumentar de cinco para 13 os departamentos e divisões municipais e criar três equipas multidisciplinares. Oposição travou a proposta, considerando que faltam um diagnóstico dos serviços e uma estratégia que justifiquem a nova estrutura.

A reorganização dos serviços da Câmara do Entroncamento, proposta pelo presidente Nelson Cunha (Chega), foi chumbada pela oposição. Os dois vereadores do PS e os dois eleitos da coligação Viva o Entroncamento (PSD/CDS-PP) uniram votos contra a proposta do executivo minoritário, que previa 17 cargos dirigentes e um acréscimo anual de encargos estimado pela presidência entre 118 mil e 212 mil euros. A proposta previa uma alteração profunda da estrutura municipal. O actual modelo, constituído por um departamento, quatro divisões e dez unidades, daria lugar a dois departamentos, 11 divisões, quatro unidades e três equipas multidisciplinares.
Nelson Cunha justificou a reorganização com a necessidade de melhorar a capacidade de resposta dos serviços e criar condições para atrair e manter trabalhadores qualificados. “Pretendemos dar uma resposta e, obviamente, também valorizar os nossos dirigentes municipais”, afirmou, lembrando que a autarquia tem perdido funcionários para outras entidades públicas com condições remuneratórias mais favoráveis. Segundo o presidente, o impacto financeiro anual poderia chegar aos 212 mil euros se os 17 cargos dirigentes fossem preenchidos através de recrutamento externo, baixando para cerca de 118 mil euros se fossem ocupados por trabalhadores do município. As três equipas multidisciplinares seriam lideradas por actuais dirigentes e não representariam custos adicionais.
A oposição contestou, sobretudo, a falta de fundamentação da mudança. O PS considerou que deveria existir previamente um diagnóstico do funcionamento dos serviços, uma estimativa dos encargos e objectivos que permitissem medir os resultados da reorganização. Os socialistas calcularam que o impacto máximo poderia atingir cerca de 357 mil euros anuais, dependendo da forma de preenchimento dos lugares. Também Rui Madeira, da coligação Viva o Entroncamento, defendeu que a reorganização deveria surgir depois da definição de uma estratégia de desenvolvimento para o concelho. “Não estamos contra uma reorganização dos serviços da Câmara Municipal do Entroncamento, mas essa reorganização tem que ser feita, no nosso entender, de outra forma”, afirmou. Depois do chumbo, Nelson Cunha retirou da ordem de trabalhos a alteração ao mapa de pessoal para 2026, por estar directamente relacionada com a nova estrutura municipal.

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