Câmara de Alcanena rejeita aumento de apoio a estudantes
Presidente da autarquia considera que a revisão dos valores deve ser discutida no próximo orçamento, mas o vereador Samuel Frazão defende que o reforço seria um sinal concreto de apoio aos jovens e às famílias.
A maioria que governa a Câmara de Alcanena rejeitou a proposta dos vereadores do PS para aumentar os apoios municipais aos estudantes do ensino superior, cujos valores permanecem inalterados desde 2021. O presidente da autarquia, Rui Anastácio, admitiu que os montantes devem ser revistos, mas defendeu que essa decisão deve ser enquadrada na preparação do próximo orçamento municipal. Actualmente, os estudantes recebem 150, 100 ou 60 euros mensais, consoante o escalão. O PS propôs aumentar os valores para 180, 120 e 72 euros e prolongar o apoio de nove para dez meses, num reforço global estimado em cerca de 28 mil euros.
Samuel Frazão justificou a proposta com o aumento do custo de vida, sobretudo na habitação, alimentação, combustíveis e deslocações. “É um pequeno passo para ajudar as famílias que precisam”, afirmou, defendendo que o município tem capacidade financeira para assumir o acréscimo. “O orçamento da educação não tem 28 mil euros para ajudar os jovens do concelho? Sim ou não?”, questionou.
Rui Anastácio reconheceu a necessidade de reflectir sobre o apoio, mas recusou uma alteração isolada. “Temos de olhar para a floresta e perceber o que está a acontecer”, afirmou, apontando como prioridades o apoio às famílias, a natalidade e a fixação de população. O autarca revelou ainda que pretende estudar formas de os estudantes apoiados retribuírem à comunidade através de trabalho comunitário. A vereadora da Educação, Clara Batista, lembrou que o município tem aumentado o investimento na educação e enfrenta encargos elevados com escolas, transportes, alimentação, kits escolares e recursos humanos. “Não é não considerar a proposta, é considerar o momento oportuno para ela”, afirmou. Apesar da insistência do PS para que o aumento pudesse ser aprovado e aplicado retroactivamente, a maioria decidiu avançar com as candidaturas mantendo os valores actuais.


