Verão in.Santarém encerrou temporada com discussão política na reunião de câmara
A última performance da programação do Verão in.Santarém deste ano foi política e teve como palco a reunião de câmara. O vereador da oposição Nuno Domingos deu o mote e o presidente respondeu a preceito, numa actuação que acentuou as divergências entre PSD e PS.
Terminou mais uma temporada do programa cultural Verão in.Santarém e o capítulo final estava reservado para a reunião de câmara de 28 de Setembro, quando o vereador Nuno Domingos (PS) voltou a reafirmar a paternidade do projecto - concebido em 2015, quando era técnico superior do município escalabitano – e a deixar algumas críticas, mas também elogios, ao modelo seguido este ano. Do outro lado, a maioria PSD não gostou do protagonismo assumido pelo autarca da oposição e acusou-o de arrogância e prepotência.
Nuno Domingos até começou a intervenção pelo que correu bem, como a grande adesão de público aos espectáculos. Mas depois deixou críticas ao esbatimento da aposta nas componentes formativa, de inclusão e coesão, bem como à diminuição de actividades nas freguesias rurais e em vários pontos da cidade, ao desaparecimento de alguns eventos e à participação “quase residual” de artistas locais. Pelo meio, puxou dos galões, sublinhando: “O Verão in.Santarém foi uma proposta de autor, subscrita por mim”. E fez questão de frisar que, inclusivamente, foi um projecto “discutido técnica e filosoficamente em duas academias” e muito conversado com o movimento associativo, com técnicos e com a então vereadora da Cultura, Susana Pita Soares. Estava-se em 2015.
Entretanto o modelo foi evoluindo, os autarcas do executivo mudaram e Nuno Domingos diz que o modelo “perdeu um pouco o rumo e a intencionalidade”, acrescentando que “os seus objectivos, princípios e valores foram um pouco contornados”. O que considera natural, tendo em conta que foi o primeiro ano em que o novo executivo organizou o programa, que no anterior mandato esteve sob a tutela política de Nuno Domingos enquanto vereador da Cultura. Não concluiu sem deixar também elogios ao programa de visitas guiadas e parabéns pelos grandes espectáculos.
A resposta do presidente da câmara, João Leite (PSD), foi contundente, chegando a dizer que ainda bem que Nuno Domingos não aceitou o desafio que lhe fez para voltar a ser vereador da Cultura no actual mandato. “Achar que agora pode ter quase direitos de autor perante um projecto que é municipal, é de uma prepotência e de uma arrogância que confesso que me deixa admirado vindo de si, porque é uma pessoa que estimo e por quem até tenho admiração”, disse o presidente.
“A sua intervenção é um bom exemplo do que não se deve fazer enquanto dirigente: eu fiz, em faço, eu pensei, eu, eu, eu… Nós falamos em nós, nós, nós”, disse ainda João Leite. E reforçou: “Depois da sua intervenção fico com evidências claras que Santarém já está noutro registo (…) Era o que faltava ficarmos agarrados a um processo com meia dúzia de folhas que remonta a 2015. Nós somos eleitos para quê? Para executar, fazer mudanças e fazer melhorias”.
Nuno Domingos ainda voltou à carga para dizer que a sua intervenção teve uma perspectiva construtiva e pretendeu expor o que lhe parece que pode ser melhorado. “Acho que não ofendi ninguém. Reflecti sobre um assunto e passei as informações. Senhor presidente, se vossa excelência não gostou, olhe, tenho pena”, concluiu.


