Câmara do Entroncamento sob escrutínio por contratar empresa do companheiro de vereadora
Contratação de uma empresa pertencente ao companheiro de uma vereadora do Chega para instalar aparelhos de ar condicionado em edifícios municipais está a gerar polémica no Entroncamento. O presidente da câmara, Nelson Cunha, garante que o procedimento respeitou as regras legais e que foram consultadas três empresas.
A Câmara Municipal do Entroncamento contratou uma empresa pertencente ao companheiro da vereadora Maria Figueira (Chega) para a instalação de aparelhos de ar condicionado em edifícios municipais. A situação foi levantada pelo vereador Rui Madeira (coligação PPD/PSD.CDS-PP) na reunião do executivo de 7 de Outubro, durante a qual o presidente da autarquia, Nelson Cunha, confirmou a ligação familiar, mas rejeitou a existência de qualquer ilegalidade no procedimento.
Rui Madeira voltou a questionar o presidente da câmara sobre a identidade dos proprietários da empresa contratada, depois de já ter colocado a mesma questão numa reunião anterior. Em resposta, Nelson Cunha confirmou que a empresa pertence ao companheiro da vereadora Maria Figueira, esclarecendo que, no âmbito do procedimento de contratação, foram apresentados três orçamentos de empresas sediadas no Entroncamento: Jerónimos, Álvaro Group e a empresa que acabou por ser contratada. O presidente da autarquia garantiu que o procedimento decorreu dentro da legalidade e sublinhou que a empresa em causa mantém relações comerciais com o município há cerca de oito anos, não sendo, por isso, um fornecedor recente da câmara.
As explicações não convenceram Rui Madeira, que colocou a questão no plano ético e político, considerando que, independentemente da legalidade do procedimento, a contratação levanta dúvidas quanto à separação entre o exercício de funções públicas e os interesses privados. "Pode até nem ser ilegal, mas do ponto de vista moral, para um partido que quer separar a esfera política da esfera privada e dos negócios, parece-nos de alguma forma imoral", afirmou o vereador, que solicitou acesso à documentação relativa ao processo de contratação.
Contactado por O MIRANTE, Nelson Cunha desvalorizou a polémica e considerou que existem "pretensões de tentar criar notícia onde não existe", defendendo que existe "boa gestão e respeito pelo código".


