Inácio está cada vez mais isolado mas quer continuar a mandar na União de Freguesias da Póvoa e Forte da Casa
“Está tudo bem”, garantiu o presidente da Junta da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa na última assembleia de freguesia, apesar das demissões no executivo e de não ter apresentado qualquer nome para substituir os que saíram. À data de fecho desta edição, ainda não se conhecia o desfecho da assembleia extraordinária marcada para 6 de Outubro.
Surreal, inacreditável e uma vergonha foram alguns dos adjectivos usados pelos eleitos da Assembleia de Freguesia da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa para classificar o que se passou na reunião da noite de terça-feira, 29 de Setembro. A sessão durou mais de quatro horas e ficou marcada pelos sucessivos pedidos de esclarecimento ao presidente da junta, António Inácio, sobre a sua capacidade para continuar a exercer o cargo. O autarca foi eleito pela coligação Nova Geração (PSD/IL) mas já nem os eleitos da sua força política o apoiam, com excepção do seu ‘braço direito’, Rosa Barral.
Na ordem de trabalhos estava a eleição dos novos elementos do executivo da junta, depois da renúncia dos cinco vogais e dos eleitos da mesa da assembleia. Mas António Inácio não apresentou qualquer nome a votação, situação que gerou críticas das bancadas do PS, CDU, Livre e Chega.
A reunião foi conduzida por Vasco Costa, que também renunciou ao cargo na mesa da assembleia, mas permaneceu nas funções por acordo de todas as bancadas, de forma a garantir a continuidade dos trabalhos. Patrícia Fernandes, que igualmente renunciou, manteve-se como secretária da mesa.
Perante a ausência de nomes para o executivo, os eleitos do PS, CDU, Livre e Chega questionaram António Inácio sobre as condições para continuar a ser presidente da junta, depois de sucessivas demissões e sem apoio político, incluindo da própria Nova Geração. O presidente respondeu que “está tudo bem” e que “continuamos a trabalhar”. António Inácio defendeu ainda que pode continuar a exercer o mandato, sustentando-se na lei que determina que os eleitos no executivo apenas deixam de exercer funções depois de serem substituídos.
Luís Prazeres, do PS, responsabilizou a Nova Geração pela instabilidade política, por ter escolhido António Inácio e agora se remeter ao silêncio. Disse ainda que o presidente “não tem coragem nem humildade de dizer não consigo mais” e renunciar ao cargo.
João Bernardo, do Livre, considerou também que António Inácio não tem condições para levar o mandato até ao fim, enquanto Pedro Rodrigues, do Chega, afirmou: “Conheço-o há mais de 40 anos e digo que não tem condições para continuar. Chegámos aqui com demissões datadas de 10 de Julho e não tem um único nome para apresentar”. Marco Santos, da CDU, lamentou a instabilidade política na freguesia e afirmou que “quem votou em si sente-se enganado”, referindo-se a Inácio.
À data de fecho desta edição estava marcada para 6 de Outubro uma assembleia de freguesia extraordinária. Nessa reunião deveria ser apresentada formalmente a demissão de Célia Nota do executivo, que faltou à sessão anterior. A renúncia tinha sido comunicada a António Inácio, mas não a Vasco Costa, presidente da assembleia de freguesia, pelo que os eleitos da assembleia desconheciam a situação.
Antes da assembleia extraordinária, António Inácio teria de apresentar às bancadas os nomes que pretendia levar a votação para substituir os elementos demissionários. Ficava, à data de fecho desta edição, por saber se o presidente conseguiria formar uma lista, uma vez que, segundo foi afirmado na assembleia, nenhum dos partidos representados naquele órgão pretendia integrar o executivo de António Inácio, que tem como principal apoio a eleita Rosa Barral. Se não for possível assegurar o funcionamento do órgão nos termos previstos na lei, poderá haver lugar a eleições intercalares.


