Política | 11-10-2026 09:12

Presidente da Chamusca exige contrapartidas se energias renováveis ocuparem território sem retorno

Presidente da Chamusca exige contrapartidas se energias renováveis ocuparem território sem retorno

Presidente da Câmara da Chamusca alerta que a instalação de grandes projectos de energias renováveis pode ocupar milhares de hectares do concelho sem garantir contrapartidas económicas significativas. Nuno Mira defende maior intervenção das autarquias nas decisões e a preservação da actividade agrícola e florestal.

O presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira (PS), considera que os benefícios económicos dos projectos de energias renováveis poderão ser reduzidos face à dimensão do território ocupado. O alerta surge depois de o Governo ter aprovado, em Agosto, o Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis, que identifica no concelho cerca de 9 mil hectares com aptidão para energia eólica e 2.184 hectares para energia solar.
Em declarações à Lusa, o autarca reconhece o potencial da Chamusca para receber estes investimentos, mas questiona as vantagens concretas para a população. Defende que a transformação de extensas áreas florestais em infraestruturas energéticas poderá prejudicar actividades económicas ligadas à floresta e alterar significativamente a paisagem. Nuno Mira considera que as compensações previstas na legislação são insuficientes perante a dimensão dos terrenos afectados. Na Lezíria do Tejo, entende que a produção energética deve complementar a agricultura, sem comprometer os solos produtivos. Na Charneca Ribatejana, alerta para a necessidade de preservar o património paisagístico e cultural.
O presidente da câmara lembra ainda que a revisão do Plano Director Municipal está numa fase avançada e rejeita alterações ao ordenamento do território apenas para acomodar orientações sectoriais. O autarca reclama maior participação dos municípios na definição dos projectos e na negociação de contrapartidas. Embora reconheça a importância da transição energética, insiste que esta deve traduzir-se em benefícios concretos e duradouros para as populações, em vez de se limitar à ocupação de grandes extensões de território.

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