Sardoal procura financiamento alternativo para projectos que ficaram fora do PRR
Vários projectos do concelho do Sardoal que não avançaram ou não ficaram concluídos no âmbito do PRR estão a ser encaminhados para outras fontes de financiamento. Habitação, creche, Jardim de Infância de Presa e espaço de cowork estão entre os investimentos em causa.
Os projectos iniciados ou financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que foram concluídos, os que vão ser transferidos para outros programas de financiamento e os que poderão ficar desertos foram um dos temas principais de debate na última Assembleia Municipal do Sardoal. O presidente da Câmara de Sardoal garantiu que vários projectos que não avançaram ou não ficaram concluídos ao abrigo do PRR estão a ser encaminhados para outras fontes de financiamento. Entre os investimentos em causa estão intervenções na habitação, a construção da creche, o Jardim de Infância de Presa e a recuperação de edifícios municipais. Na área da habitação, Pedro Rosa explicou que a requalificação da Tapada da Torre está concluída. Já outros imóveis previstos na Estratégia Local de Habitação, nomeadamente junto ao Centro Cultural e em edifícios devolutos existentes na zona histórica, não chegaram a avançar. Segundo o autarca, o município pretende agora aproveitar um aviso da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro para apresentar novas candidaturas, destacando a intenção de financiar a requalificação do antigo edifício da GNR. Também a intervenção na Fonte da Estrada não ficou concluída dentro do prazo. O presidente referiu que, por integrar um acordo relacionado com uma Área de Reabilitação Urbana, foi encontrada uma solução alternativa de financiamento para permitir a concretização da obra.
Uma das situações mais significativas prende-se com a futura creche. O projecto estava inicialmente enquadrado no PRR, através da Segurança Social, mas o financiamento previsto rondava os 180 mil euros para uma obra avaliada em mais de um milhão de euros. O presidente reconheceu que o município estava longe de conseguir concluir uma parte substancial da empreitada dentro dos prazos definidos e que acabou por aceitar o cancelamento da candidatura. A autarquia teve ainda de devolver cerca de 54 mil euros já recebidos. Entretanto, a câmara conseguiu candidatar a creche a um novo aviso destinado a equipamentos sociais que já se encontravam em execução e apresentavam um elevado grau de maturidade. O autarca afirmou estar tranquilo quanto à possibilidade de recuperar alguns dos investimentos, defendendo que começaram rapidamente a surgir novas oportunidades de financiamento. Entre os projectos estão intervenções de eficiência energética no Bairro da Tapada do Milheiriço e a adaptação do antigo edifício da GNR para habitação. Relativamente à intervenção no Jardim de Infância de Presa, Pedro Rosa admitiu que o concurso ficou deserto, apontando factores como a falta de mão de obra, o elevado número de empreitadas em curso e dificuldades no acesso a matérias-primas. No entanto, apesar do resultado do concurso, o município pretende avançar com a obra. Acrescentou que existem empresas interessadas e manifestou a expectativa de encontrar uma solução “rapidamente”. Pedro Rosa recordou também que outros concursos municipais lançados desde 2025 ficaram inicialmente desertos. Na Fonte da Estrada foi necessário rever o projecto, depois de se concluir que o valor inicialmente previsto era insuficiente para os trabalhos. O autarca afirmou que existem agora sinais de maior interesse por parte do mercado, adiantando ter conhecimento de pelo menos duas empresas que visitaram o local e solicitaram esclarecimentos sobre o procedimento. Quanto ao espaço de cowork, a primeira candidatura não avançou, mas o município está agora a preparar novamente o processo, com a intenção de apresentar a candidatura ao espaço de cowork até ao final do ano.


