Política | 27-10-2026 10:00

Trincão Marques defende liberdade de imprensa e esclarece contratos com jornais após críticas da oposição

Trincão Marques defende liberdade de imprensa e esclarece contratos com jornais após críticas da oposição
Autarca José Trincão Marques - foto O MIRANTE

Presidente da Câmara de Torres Novas esclareceu que os contratos com a imprensa local e regional se destinam à compra de publicidade e não à produção de notícias favoráveis. O MIRANTE foi o único jornal visado nas críticas da oposição, apesar de a autarquia contratar publicidade noutros órgãos de comunicação social, com encargos conjuntos superiores aos de O MIRANTE.

O contrato de publicidade entre a Câmara de Torres Novas e a Valedotejo - Comunicação Social, Lda., empresa editora do jornal regional O MIRANTE, esteve em discussão na última sessão da assembleia municipal, depois de Ricardo Caixinha, eleito do Chega, questionar o interesse público de um ajuste directo de 10.500 euros (mais IVA), por três anos. O deputado municipal quis saber por que razão a autarquia recorre à imprensa para divulgar informação, quando dispõe de técnicos superiores na área da comunicação, apontando para um custo de cerca de 70 euros, mais IVA, por edição.
O presidente do município, José Trincão Marques (PS), aproveitou a intervenção para esclarecer os valores e defender o papel da imprensa nas sociedades democráticas. “Tenho o máximo respeito pela comunicação social. A liberdade de imprensa é fundamental”, afirmou, sublinhando que os jornais desempenham um papel essencial na democracia e que a autarquia paga por publicidade, não por produção de conteúdo.
O autarca socialista explicou que, além do contrato com a empresa editora do jornal semanal e diário online O MIRANTE, que representa 3.500 euros anuais e abrange três anos, a câmara municipal tem um compromisso de 3.023 euros, para 2026, com O Riachense, que é mensal, tendo referido um montante de 5.400 euros em ajustes directos simplificados com este jornal e O Torrejano, que tem publicação quinzenal.
Trincão Marques adiantou ainda que a autarquia trabalha com o Médio Tejo Net, publicação digital agora gerida por uma associação cultural cujo contrato deverá ser renovado, e garantiu que pretende manter a colaboração com todos os órgãos de comunicação social. “Não quero aqui jornais contra jornais”, afirmou, rejeitando qualquer discriminação e manifestando a intenção de aprofundar essa colaboração, nomeadamente através de publicidade a iniciativas como o Natal e a Feira dos Frutos Secos.
O autarca fez questão de distinguir a publicidade institucional do trabalho jornalístico. Explicou que o gabinete de comunicação municipal dispõe de oito funcionários, incluindo quatro designers, dois fotógrafos e operadores de vídeo e dois elementos responsáveis pela gestão, divulgação e coordenação. “O que se paga aos jornais é publicidade paga”, insistiu, esclarecendo que não estão em causa serviços de produção de imagem ou de comunicação para a autarquia.

Oposição só teve olhos para O MIRANTE

Note-se que, apesar de a câmara contratar publicidade em vários órgãos de comunicação social, foi apenas o contrato com O MIRANTE que suscitou perguntas da oposição na assembleia municipal. A polémica chegou também às redes sociais através do vereador do PSD Tiago Ferreira, que, durante o período em que tinha o mandato suspenso, questionou a legitimidade do contrato com a empresa detentora de O MIRANTE, dando a entender que a despesa poderia vir a reflectir-se na publicação de notícias favoráveis ao município.

À Margem - Opinião

A liberdade de imprensa não está à venda

A liberdade de imprensa, essa expressão que soa bonita em discursos, exerce-se todos os dias nas redacções, nas escolhas editoriais e na coragem de publicar o que nem sempre agrada a quem exerce o poder, seja ele político ou económico. É lamentável que se utilizem contratos de publicidade, instrumentos legítimos de divulgação institucional, para lançar suspeitas sobre a isenção e a idoneidade de jornalistas e do projecto editorial que integram. O escrutínio da utilização de dinheiros públicos é legítimo e necessário. Outra coisa, bem diferente, é aproveitar esse escrutínio para fazer política à custa da credibilidade de quem exerce o jornalismo.
Trabalho num jornal que não pertence a grandes grupos económicos, que não está amarrado aos seus interesses nem sujeito a vontades alheias ao jornalismo ético, livre e independente. Mas importa ainda esclarecer que a independência editorial não significa ausência de relações comerciais, mas que essas relações não determinam o que se investiga, o que se escreve ou o que se publica. Não perceber isto é não saber nada da História de O MIRANTE, que tem um passado de 40 anos e é um caso de estudo na imprensa de proximidade com muitas lutas ganhas em muitos tribunais por sermos uma voz plural e defendermos a liberdade de imprensa.
Joana Gradíssimo,
jornalista em O MIRANTE

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