Eleição de Rui Sardinha para cargo remunerado na Associação dos Municípios do Cavalo gera polémica na Golegã
Eleitos do PS questionam a escolha de Rui Sardinha para secretário-geral da Associação dos Municípios Portugueses do Cavalo e levantam suspeitas sobre uma eventual ligação entre a nomeação para um cargo remunerado e o voto na eleição da presidência da Assembleia Municipal da Golegã. A escolha foi unânime, confirmou o presidente da câmara António Camilo.
A designação de Rui Sardinha para secretário-geral da Associação dos Municípios Portugueses do Cavalo está a provocar polémica política na Golegã. O assunto foi levantado nas reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal da Golegã, com eleitos do Partido Socialista a questionarem os critérios que estiveram na origem da escolha e a exigirem esclarecimentos sobre uma eventual relação entre a atribuição do cargo remunerado e o voto de Rui Sardinha na eleição da presidência da Assembleia Municipal. Os socialistas manifestaram perplexidade perante a nomeação, alegando que, no currículo profissional de Rui Sardinha, divulgado durante a campanha eleitoral e na sua rede social profissional, não é conhecida experiência ou ligação ao sector equestre que justifique a escolha. Consideram que está em causa uma questão de princípio e de transparência na atribuição de cargos em entidades ligadas ao poder local.
A polémica ganhou contornos mais acentuados quando os eleitos do PS colocaram uma pergunta directa: terá o cargo remunerado sido uma exigência de Rui Sardinha para garantir o seu voto na eleição da presidência da Assembleia Municipal ou uma contrapartida oferecida pelo executivo para assegurar esse apoio? A interrogação foi apresentada nas reuniões políticas, sem que tenham sido divulgadas provas de qualquer acordo dessa natureza. No entanto, o presidente António Camilo avançou que Rui Sardinha está a receber uma remuneração de cerca de 1700 euros mensais pelo desempenho das suas funções.
Segundo os socialistas, a resposta recebida foi a de que a designação de Rui Sardinha tinha sido aprovada por unanimidade pela direcção da associação, tendo sido ainda referido que o trabalho desenvolvido pelo secretário-geral ultrapassou as expectativas. Foi também invocado pelo executivo municipal que o currículo foi escolhido como fundamento para a decisão. As explicações não convenceram os eleitos do PS, que consideram insuficiente justificar a situação com o argumento de que este tipo de escolhas é habitual na vida partidária. Para os socialistas, a coincidência entre o voto na presidência da Assembleia Municipal da Golegã e a atribuição de um lugar remunerado continua por esclarecer.
Os eleitos socialistas defendem que a exigência de transparência deve ser a mesma no poder local e na política nacional. Criticam aquilo que consideram ser uma normalização de práticas que alimentam a desconfiança dos cidadãos em relação aos políticos, sublinhando que não podem condenar a distribuição de favores e lugares a nível nacional e aceitar situações semelhantes nas autarquias.
Rui Sardinha é uma figura com um longo percurso na política autárquica da Golegã. Antigo director do Centro de Formação de Santarém, foi candidato do PSD à Câmara Municipal da Golegã nas eleições autárquicas de 2005, depois de os sociais-democratas não terem conseguido eleger vereadores em 2001.


