Política | 30-10-2026 09:08

Eleição de Rui Sardinha para cargo remunerado na Associação dos Municípios do Cavalo gera polémica na Golegã

Eleição de Rui Sardinha para cargo remunerado na Associação dos Municípios do Cavalo gera polémica na Golegã

Eleitos do PS questionam a escolha de Rui Sardinha para secretário-geral da Associação dos Municípios Portugueses do Cavalo e levantam suspeitas sobre uma eventual ligação entre a nomeação para um cargo remunerado e o voto na eleição da presidência da Assembleia Municipal da Golegã. A escolha foi unânime, confirmou o presidente da câmara António Camilo.

A designação de Rui Sardinha para secretário-geral da Associação dos Municípios Portugueses do Cavalo está a provocar polémica política na Golegã. O assunto foi levantado nas reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal da Golegã, com eleitos do Partido Socialista a questionarem os critérios que estiveram na origem da escolha e a exigirem esclarecimentos sobre uma eventual relação entre a atribuição do cargo remunerado e o voto de Rui Sardinha na eleição da presidência da Assembleia Municipal. Os socialistas manifestaram perplexidade perante a nomeação, alegando que, no currículo profissional de Rui Sardinha, divulgado durante a campanha eleitoral e na sua rede social profissional, não é conhecida experiência ou ligação ao sector equestre que justifique a escolha. Consideram que está em causa uma questão de princípio e de transparência na atribuição de cargos em entidades ligadas ao poder local.
A polémica ganhou contornos mais acentuados quando os eleitos do PS colocaram uma pergunta directa: terá o cargo remunerado sido uma exigência de Rui Sardinha para garantir o seu voto na eleição da presidência da Assembleia Municipal ou uma contrapartida oferecida pelo executivo para assegurar esse apoio? A interrogação foi apresentada nas reuniões políticas, sem que tenham sido divulgadas provas de qualquer acordo dessa natureza. No entanto, o presidente António Camilo avançou que Rui Sardinha está a receber uma remuneração de cerca de 1700 euros mensais pelo desempenho das suas funções.
Segundo os socialistas, a resposta recebida foi a de que a designação de Rui Sardinha tinha sido aprovada por unanimidade pela direcção da associação, tendo sido ainda referido que o trabalho desenvolvido pelo secretário-geral ultrapassou as expectativas. Foi também invocado pelo executivo municipal que o currículo foi escolhido como fundamento para a decisão. As explicações não convenceram os eleitos do PS, que consideram insuficiente justificar a situação com o argumento de que este tipo de escolhas é habitual na vida partidária. Para os socialistas, a coincidência entre o voto na presidência da Assembleia Municipal da Golegã e a atribuição de um lugar remunerado continua por esclarecer.
Os eleitos socialistas defendem que a exigência de transparência deve ser a mesma no poder local e na política nacional. Criticam aquilo que consideram ser uma normalização de práticas que alimentam a desconfiança dos cidadãos em relação aos políticos, sublinhando que não podem condenar a distribuição de favores e lugares a nível nacional e aceitar situações semelhantes nas autarquias.
Rui Sardinha é uma figura com um longo percurso na política autárquica da Golegã. Antigo director do Centro de Formação de Santarém, foi candidato do PSD à Câmara Municipal da Golegã nas eleições autárquicas de 2005, depois de os sociais-democratas não terem conseguido eleger vereadores em 2001.

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