Política | 01-11-2026 18:41

Intenção de limitar intervenção do público nas reuniões da Câmara de Torres Novas gera contestação

Intenção de limitar intervenção do público nas reuniões da Câmara de Torres Novas gera contestação

Intenção de limitar a cinco o número de munícipes que podem intervir nas reuniões públicas da Câmara de Torres Novas está a gerar contestação. PCP acusa o executivo de querer restringir a participação democrática e defende que as dificuldades em gerir o tempo das sessões não podem servir de justificação para limitar a voz das populações.

A intenção do presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, de limitar a cinco o número de inscrições do público nas reuniões do executivo municipal está a gerar críticas. O PCP veio a público contestar a medida, considerando que o elevado número de intervenções dos cidadãos demonstra a existência de problemas no concelho que exigem respostas, e não restrições à participação.
Em comunicado, os comunistas defendem que as dificuldades em gerir o tempo das reuniões não podem servir de justificação para limitar a intervenção dos munícipes. “Se há tantos munícipes que sentem necessidade de intervir, denunciar problemas e exigir respostas, a solução não passa por restringir a sua participação. Passa por ter um executivo que saiba ouvir, dialogar e resolver os problemas concretos do concelho”, sustenta o partido em comunicado enviado às redações.
O PCP aponta como exemplo a polémica em torno da deslocalização da farmácia da Quinta da Silvã, uma decisão que gerou preocupação e contestação popular e que não teve votos contra no executivo. Os comunistas questionam se o presidente da câmara e os restantes eleitos esperavam que a população não viesse exigir explicações e pedir responsabilidades pelas decisões tomadas.

Presidente quer limitar inscrições após reunião com mais de duas horas de intervenções

A contestação surge depois de José Trincão Marques ter anunciado, na última reunião pública do executivo, que a autarquia passará a aceitar apenas cinco inscrições de munícipes por sessão. A decisão foi comunicada depois de o período de intervenção do público se ter prolongado por mais de duas horas, numa reunião iniciada às 14h00 e em que perto de uma dezena de cidadãos usou da palavra.
“Na próxima reunião já só vamos aceitar cinco inscrições por público por reunião de câmara”, afirmou o autarca, justificando a medida com a necessidade de controlar a duração das sessões. Segundo Trincão Marques, vários munícipes falaram durante cerca de dez minutos, ultrapassando o tempo previsto no regimento.
O presidente explicou que optou por não interromper as intervenções para evitar interpretações negativas, mas considerou que a situação não pode continuar nos mesmos moldes. Apesar da intenção de impor limites, sublinhou que “é sempre importante ouvir as pessoas”.
O artigo 9.º do regimento da Câmara de Torres Novas estabelece que o período de intervenção do público tem a duração de 45 minutos e que cada cidadão dispõe de um máximo de cinco minutos para falar. O documento prevê inscrições com cinco dias de antecedência para quem pretenda esclarecimentos concretos, embora também admita inscrições até ao próprio dia da reunião. O regimento actualmente disponível no site da autarquia não estabelece um limite de cinco participantes por sessão.

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