Política | 02-11-2026 15:00

Nuno Mira acusa autarca de fazer política do “bota abaixo” na Chamusca

Nuno Mira acusa autarca de fazer política do “bota abaixo” na Chamusca
João Santos critica o modelo de financiamento e Nuno Mira garante que foi acordado com as juntas de freguesia - foto arquivo O MIRANTE

Protocolo que prevê a atribuição de 30 mil euros anuais a cada freguesia para apoiar as Universidades Seniores voltou a provocar polémica, desta vez na reunião da Câmara da Chamusca. O vereador João Santos, do movimento Primeiro a Nossa Terra, acusou o executivo de ter decidido unilateralmente o modelo de financiamento. O presidente da câmara, Nuno Mira, rejeitou as críticas e acusou o vereador de insistir numa política do “bota-abaixo”.

O novo modelo de financiamento das Universidades Seniores do concelho da Chamusca continua a dividir os eleitos autárquicos. Depois de ter motivado um debate prolongado na Assembleia Municipal, o protocolo da Rede de Universidades Seniores da Chamusca (RUSCHA) voltou a estar no centro da discussão política, desta vez na reunião do executivo camarário, com uma troca de acusações entre o vereador João Santos, eleito pelo movimento Primeiro a Nossa Terra, e o presidente do município, Nuno Mira. João Santos contestou a forma como foi conduzido o processo, considerando que a decisão sobre os apoios às juntas de freguesia foi tomada unilateralmente pelo executivo municipal. A crítica surge na sequência da aprovação do novo protocolo, que aumenta de 25 mil para 30 mil euros o apoio anual atribuído a cada freguesia e altera as condições de utilização das verbas.
Nuno Mira rejeitou as acusações e garantiu que o modelo foi discutido e aceite pelos presidentes das juntas de freguesia. O autarca apontou como demonstração desse entendimento a cerimónia que reuniu todas as Universidades Seniores do concelho, defendendo que existe satisfação entre as freguesias relativamente ao acordo alcançado. A discussão ganhou contornos mais políticos quando o presidente da câmara lamentou o tom frequentemente negativo das intervenções de João Santos, que enquadrou numa política do “bota-abaixo”. Nuno Mira sublinhou que a sua preocupação está centrada no futuro do concelho e no desenvolvimento de novas respostas para a população, recusando alimentar comparações com o passado, como as que foram feitas pelo vereador do movimento Primeiro a Nossa Terra. João Santos disse dispensar “moralismos e paternalismos”.
A polémica em torno do protocolo não é nova. Como O MIRANTE já noticiou, a proposta levantou dúvidas na Assembleia Municipal da Chamusca, sobretudo por estabelecer o mesmo apoio de 30 mil euros para todas as freguesias, independentemente do número de estruturas, alunos ou encargos associados às Universidades Seniores. Durante essa discussão foram apontadas as situações da União de Freguesias de Chamusca e Pinheiro Grande e da União de Freguesias de Parreira e Chouto, onde existe mais do que uma estrutura, tendo sido defendido um financiamento de 45 mil euros para responder às diferentes necessidades. Apesar das críticas, o executivo municipal manteve o modelo, argumentando que o reforço financeiro e a maior flexibilidade na utilização das verbas representam uma melhoria das condições de funcionamento das Universidades Seniores. O protocolo acabou por ser aprovado na assembleia municipal, embora com votos contra e abstenções.

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