Câmara de Coruche suspende transmissão em directo após interpelação de munícipe
Cidadão reclama há cinco meses dos efeitos de uma lomba junto à sua habitação, na Salgueirinha. Presidente da Câmara de Coruche propôs recebê-lo na manhã seguinte ao incidente e, entretanto, o obstáculo na estrada já foi retirado.
A transmissão em directo da reunião do executivo da Câmara de Coruche, realizada a 28 de Outubro, foi suspensa por ordem do presidente Nuno Azevedo (PS) quando um munícipe pediu para intervir durante a ordem de trabalhos. A decisão provocou um confronto verbal com Dionísio Mendes, vereador do movimento Volta Coruche/25, que considerou a atitude incorrecta e pouco democrática, defendendo que nada justificava impedir o registo audiovisual das declarações de um cidadão. Nuno Azevedo propôs receber o munícipe durante a manhã do dia seguinte à reunião camarária. Entretanto, a lomba que estava na origem das reclamações do munícipe já foi retirada, pondo fim à situação.
O episódio ocorreu cerca das 17h00, quando já tinha decorrido uma hora e meia de reunião e acabara de ser aprovado o quarto ponto da ordem de trabalhos. Alberto Borda d’Água pediu desculpa pela interrupção e questionou quando poderia ser recebido pelo presidente da câmara. Explicou que precisava de regressar a casa devido ao estado de saúde da mulher e que não podia continuar a aguardar pelo período destinado à intervenção do público, que naquela sessão apenas começou às 18h08.
O munícipe, residente na Salgueirinha, vinha reclamar dos efeitos provocados pela passagem de veículos sobre uma lomba existente na via principal da localidade. Segundo informação recolhida por O MIRANTE, Alberto Borda d’Água considerava que as vibrações provocadas pelo trânsito afectavam a sua habitação, onde vive com a mulher, que enfrenta problemas de saúde. “Há cinco meses que ando nisto”, lamentou perante o executivo, insistindo na necessidade de ser recebido pelo presidente. Nuno Azevedo permitiu que o cidadão falasse antecipadamente, mas ordenou a suspensão da transmissão online, que apenas foi retomada depois de Alberto Borda d’Água abandonar a sala. A decisão levou Dionísio Mendes a apresentar um protesto imediato, questionando os motivos que justificavam a interrupção da emissão quando o munícipe estava autorizado a intervir.
Confrontado pelo vereador, Nuno Azevedo respondeu que a intervenção não estava prevista naquela fase da reunião e que a decisão de suspender a transmissão tinha resultado da sua interpretação da situação. “Foi o meu entendimento”, justificou, rejeitando as críticas. A troca de argumentos subiu de tom, com o presidente a classificar o protesto do vereador como “teatro”, antes de determinar o prosseguimento da ordem de trabalhos.


