Política | 07-11-2026 07:00

Câmara de Coruche suspende transmissão em directo após interpelação de munícipe

Câmara de Coruche suspende transmissão em directo após interpelação de munícipe
Alberto Borda d’Água aguardava uma solução para os problemas que atribuía à passagem de veículos junto à sua casa - foto O MIRANTE

Cidadão reclama há cinco meses dos efeitos de uma lomba junto à sua habitação, na Salgueirinha. Presidente da Câmara de Coruche propôs recebê-lo na manhã seguinte ao incidente e, entretanto, o obstáculo na estrada já foi retirado.

A transmissão em directo da reunião do executivo da Câmara de Coruche, realizada a 28 de Outubro, foi suspensa por ordem do presidente Nuno Azevedo (PS) quando um munícipe pediu para intervir durante a ordem de trabalhos. A decisão provocou um confronto verbal com Dionísio Mendes, vereador do movimento Volta Coruche/25, que considerou a atitude incorrecta e pouco democrática, defendendo que nada justificava impedir o registo audiovisual das declarações de um cidadão. Nuno Azevedo propôs receber o munícipe durante a manhã do dia seguinte à reunião camarária. Entretanto, a lomba que estava na origem das reclamações do munícipe já foi retirada, pondo fim à situação.
O episódio ocorreu cerca das 17h00, quando já tinha decorrido uma hora e meia de reunião e acabara de ser aprovado o quarto ponto da ordem de trabalhos. Alberto Borda d’Água pediu desculpa pela interrupção e questionou quando poderia ser recebido pelo presidente da câmara. Explicou que precisava de regressar a casa devido ao estado de saúde da mulher e que não podia continuar a aguardar pelo período destinado à intervenção do público, que naquela sessão apenas começou às 18h08.
O munícipe, residente na Salgueirinha, vinha reclamar dos efeitos provocados pela passagem de veículos sobre uma lomba existente na via principal da localidade. Segundo informação recolhida por O MIRANTE, Alberto Borda d’Água considerava que as vibrações provocadas pelo trânsito afectavam a sua habitação, onde vive com a mulher, que enfrenta problemas de saúde. “Há cinco meses que ando nisto”, lamentou perante o executivo, insistindo na necessidade de ser recebido pelo presidente. Nuno Azevedo permitiu que o cidadão falasse antecipadamente, mas ordenou a suspensão da transmissão online, que apenas foi retomada depois de Alberto Borda d’Água abandonar a sala. A decisão levou Dionísio Mendes a apresentar um protesto imediato, questionando os motivos que justificavam a interrupção da emissão quando o munícipe estava autorizado a intervir.
Confrontado pelo vereador, Nuno Azevedo respondeu que a intervenção não estava prevista naquela fase da reunião e que a decisão de suspender a transmissão tinha resultado da sua interpretação da situação. “Foi o meu entendimento”, justificou, rejeitando as críticas. A troca de argumentos subiu de tom, com o presidente a classificar o protesto do vereador como “teatro”, antes de determinar o prosseguimento da ordem de trabalhos.

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