Concurso para chefia na Câmara de Coruche gera polémica e proposta acaba retirada
Vereadores da oposição na Câmara de Coruche questionaram a falta de documentação sobre um procedimento concursal realizado há mais de um ano e cujo encerramento estava a ser proposto pelo executivo. A discussão ganhou novos contornos quando a vice--presidente revelou ter sido uma das candidatas ao lugar de chefe da Divisão de Planeamento Estratégico.
A Câmara Municipal de Coruche retirou da ordem de trabalhos de uma reunião do executivo uma proposta que previa a cessação de um procedimento concursal para chefe da Divisão de Planeamento Estratégico e a abertura de um novo concurso, depois de vários vereadores terem levantado dúvidas sobre a documentação disponibilizada e a forma como decorreu o processo anterior.
A discussão, em reunião extraordinária, presidida por Nuno Azevedo (PS), ganhou particular intensidade quando a actual vice-presidente, Susana Cruz (PS), revelou ter participado no primeiro concurso, chegando à fase de entrevista antes de apresentar a desistência. Era à data vereadora no município. O ponto em discussão contemplava a cessação do procedimento para preenchimento, em comissão de serviço, de um lugar de chefe da Divisão de Planeamento Estratégico, cargo de direcção intermédia de segundo grau, e a abertura de um novo procedimento para o mesmo posto de trabalho. A informação apresentada pelo executivo indicava que o concurso anterior tinha ficado deserto.
O vereador Dionísio Mendes, do movimento Volta Coruche/25, contestou a insuficiência dos elementos fornecidos aos eleitos, explicando que uma acta disponível no site da câmara na Internet revelava a existência de duas candidatas, classificadas com 17,5 e 16 valores na avaliação curricular. O autarca afirmou não ter encontrado, entre os documentos disponibilizados, as actas relativas à fase posterior do concurso, nomeadamente às entrevistas, nem a fundamentação que permitisse compreender por que razão o procedimento tinha terminado sem o preenchimento do lugar. Questionou ainda a demora na resolução do processo, lembrando que tinham decorrido cerca de 13 meses desde o procedimento anterior, lançado numa altura em que o preenchimento da chefia era considerado urgente por razões de serviço.
Vice-presidente revelou ter sido candidata ao lugar
A discussão ganhou uma nova dimensão quando a vice-presidente da câmara esclareceu que tinha participado no concurso. A autarca confirmou que as entrevistas se realizaram, que recebeu uma notificação com os respectivos resultados e que posteriormente apresentou a desistência. A revelação levou Dionísio Mendes a insistir na necessidade de conhecer a documentação completa, considerando que a existência de candidaturas e a realização de entrevistas exigiam uma explicação mais rigorosa sobre o encerramento do procedimento. O eleito da oposição questionou igualmente a intervenção da vice-presidente na discussão, defendendo que deveria ter pedido escusa por ter participado no concurso. Também o vereador social-democrata Francisco Gaspar manifestou a mesma opinião, afirmando desconhecer até então que a autarca tinha sido candidata ao lugar.
Perante as críticas, o presidente Nuno Azevedo (PS), reconheceu a importância de preencher o cargo, explicando que a vereadora responsável pelo pelouro estava a acumular funções que deveriam caber a um chefe de divisão. Ainda assim, considerou que não existia uma urgência que impedisse o adiamento da decisão. A retirada do ponto foi aprovada por unanimidade, ficando adiada tanto a decisão sobre a cessação do procedimento concursal anterior como a proposta de abertura de um novo concurso.


