Continua a confusão na Junta da Póvoa e Forte da Casa
O presidente da Junta da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa retirou os pelouros à número dois do executivo, que era a única eleita que não se tinha demitido. Entretanto a autarquia foi alvo de buscas pela Polícia Judiciária.
O presidente da Junta da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, António Inácio, retirou os pelouros à sua número dois no executivo, Rosa Barral, a única eleita do elenco da junta que ainda não tinha apresentado a demissão, com excepção do presidente. A eleita tem de continuar em funções até ser substituída, tal como os outros cinco eleitos do Chega e da Coligação Nova Geração que também já tinham renunciado ao cargo: Amadeu Pinto, Júlio Runa, Célia Nota, Alexandre Reis e Guilherme Medeiros.
A autarquia é agora gerida por um poder unipessoal, personificado no presidente, numa situação insólita e politicamente insustentável que não permite mais do que uma política de gestão corrente, pois o presidente está cada vez mais isolado e já nem com a sua antiga braço direito conta. A O MIRANTE António Inácio disse que a solução para substituir os eleitos demissionários da junta (basicamente toda a equipa) pode passar “por um entendimento” com os partidos com assento na assembleia. O autarca, eleito pela coligação PSD/IL que já lhe retirou o respaldo político, refere que já reuniu com a CDU e que aguarda uma data para reunir com o Livre, o Chega e o PS. No final, vai reunir com a coligação que o elegeu, a Nova Geração (PSD/IL).
Recorde-se que já se realizaram duas assembleias de freguesia nas quais António Inácio não apresentou novos nomes para integrar o seu executivo. Aguarda-se agora o desfecho das reuniões para perceber se haverá entendimento e quando será marcada uma nova assembleia.
Junta sob investigação do Ministério Público
As buscas na Junta da Póvoa de Santa Iria foram realizadas no âmbito de um inquérito dirigido pelo DIAP de Loures, com a Polícia Judiciária a apoiar a investigação. O Ministério Público, através do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Loures, está a dirigir o inquérito no âmbito do qual foram realizadas buscas na União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa. A investigação está a ser coadjuvada pela Polícia Judiciária, confirmou fonte oficial da Procuradoria-Geral da República a O MIRANTE.
Conforme noticiámos, a Polícia Judiciária esteve recentemente na delegação da Junta da Póvoa de Santa Iria, na sequência de uma denúncia. Os inspectores consultaram três computadores da área financeira, não tendo levado qualquer documentação, segundo afirmou na altura o presidente da União de Freguesias da Póvoa e Forte da Casa. António Inácio disse desconhecer se a denúncia era anónima e afirmou estar tranquilo perante a intervenção policial. “Falharam no alvo se queriam encontrar alguma coisa”, declarou a O MIRANTE. Adiantou ainda que tinha entregue o assunto a uma advogada, que se preparava para consultar o processo. Até ao momento, não são conhecidos mais pormenores sobre o objecto do inquérito.


