Cuidar da mente é essencial em todos os momentos
Os momentos de crise provocados por acontecimentos extremos podem exigir um apoio especial. A saúde mental não é apenas um assunto de adultos. Nem há idade certa para procurar ajuda.
Como lembra a Organização Mundial da Saúde, não há saúde sem saúde mental. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, mais de um quinto dos portugueses sofre de alguma doença psiquiátrica, o que coloca Portugal como o segundo país da Europa com maior prevalência. As perturbações de ansiedade são as mais comuns, seguidas das perturbações do humor, como a depressão.
Em Portugal, as doenças mentais afetam mais pessoas e têm maior impacto na vida diária do que muitas doenças físicas, incluindo as doenças oncológicas. O uso de medicamentos acompanha esta realidade. Portugal está entre os países da OCDE com maior consumo de ansiolíticos e antidepressivos, refletindo a procura de tratamentos médicos para ansiedade, depressão e outras doenças psiquiátricas.
Apesar de tão frequentes, falar de psiquiatria e saúde mental ainda pode ser difícil. Ao contrário das doenças físicas, muitas pessoas ainda sentem vergonha ou medo de procurar ajuda. É frequente ouvir que apenas quem “está muito mal” precisa de cuidados, ou que não se deve incomodar ninguém. Este estigma mantém o sofrimento silencioso, escondido atrás de sorrisos e da ideia de que “devemos ser fortes sozinhos”. Hoje sabemos que isso não é verdade. Assim como cuidamos do coração, da diabetes, do colesterol ou da tensão arterial, também devemos cuidar do nosso cérebro.
Os momentos de crise provocados por acontecimentos extremos, como os que se vivem e viveram recentemente no nosso país, são especialmente importantes como oportunidade para aceitar a ajuda de especialistas nesta área. E, se manter uma atitude otimista ajuda, sem dúvida, a lidar melhor com os desafios do dia a dia, ainda assim, acredito que é importante referir que reduzir a saúde mental e a psiquiatria a soluções como “tens de conseguir ultrapassar as dificuldades com otimismo” pode gerar desinformação, desvalorizar a complexidade das doenças e atrasar o acesso a cuidados eficazes. O ânimo ou falta dele podem refletir, em parte, a forma como a pessoa se sente e lida com o dia-a-dia. Mas não é infrequente encontrarmos doentes que aparentam estar bem, enquanto escondem ou tentam lidar em silêncio com o seu sofrimento.
Nestas alturas, podem ficar à vista mais facilmente as fragilidades sentidas. Alterações do humor, por exemplo, podem ser um sinal de alerta, dependendo da intensidade, duração e impacto na vida diária da pessoa: um humor persistentemente baixo pode estar associado a sintomas depressivos, enquanto o oposto é frequentemente associado à doença bipolar, mas nunca devem ser avaliados isoladamente. Estas mudanças também podem refletir alterações de memória ou estar relacionadas com outras condições médicas.
Saúde mental em todas as idades
A saúde mental não é apenas um assunto de adultos. Nem há idade certa para procurar ajuda. Na infância e adolescência, os desafios podem ser ainda mais complexos. Ao contrário dos adultos, as crianças e os jovens raramente procuram ajuda por iniciativa própria.
Dificuldades na escola, ansiedade, mudanças de comportamento, problemas de atenção ou tristeza prolongada podem ser sinais de sofrimento que muitas vezes são ignorados ou vistos como “fases”, deixando os adultos à volta sem saber como agir.
Além disso, os jovens frequentemente não conseguem verbalizar o que sentem, o que torna o papel dos profissionais ainda mais importante. O acesso rápido a consultas especializadas e acompanhamento contínuo faz toda a diferença. No Hospital da Luz Clínica Vila Franca de Xira, a articulação entre a psiquiatria da infância e adolescência, psicologia clínica e psiquiatria de adultos, na transição para a idade adulta, permite oferecer um cuidado contínuo e eficaz. Com equipas dedicadas e comunicação clara entre os profissionais, conseguimos apoiar crianças e adolescentes a crescer emocionalmente de forma saudável e segura.
Na idade adulta, os desafios mudam. Vivemos tempos exigentes, com responsabilidades profissionais, compromissos familiares, cuidados com a saúde, preocupações com o futuro e mudanças constantes no dia a dia, o que torna fácil sentir-se cansado e sobrecarregado. A ansiedade, a depressão e as perturbações do sono são muito comuns e têm impacto direto na qualidade de vida.
Com o envelhecimento, surgem outros desafios: fragilidade, múltiplas doenças, perda de autonomia e menor apoio da família ou da comunidade. Muitos idosos sentem ansiedade, tristeza, problemas de memória ou confusão, que por vezes são ignorados ou atribuídos apenas à idade. Alterações cognitivas ou doenças neurodegenerativas, como a demência, podem afetar o comportamento e o estado emocional.
No Hospital da Luz Clínica Vila Franca de Xira, cada idoso recebe acompanhamento personalizado, garantindo que se sinta seguro, compreendido e capaz de enfrentar os desafios do dia a dia. Ter uma equipa de psiquiatria, neurologia e neuropsicologia é fundamental nesta fase da vida, pois permite detetar cedo alterações cognitivas ou emocionais, oferecer o tratamento adequado e apoiar tanto os doentes como os familiares, garantindo maior segurança e qualidade de vida.
Uma equipa que faz a diferença
No Hospital da Luz Clínica Vila Franca de Xira, contamos com uma equipa de psiquiatria do adulto, psiquiatria da infância e adolescência, psicologia clínica e neuropsicologia. Os melhores resultados surgem quando há trabalho em equipa e quando a abordagem é adaptada a cada idade e fase da vida.
A psicologia trabalha sobretudo através da escuta, da conversa e da relação terapêutica, ajudando a compreender emoções, pensamentos e comportamentos. A neuropsicologia contribui avaliando funções cognitivas como memória, atenção, linguagem e raciocínio, ajudando a detetar precocemente quaisquer outras alterações que possam afetar o dia-a-dia.
O psiquiatra avalia a pessoa em todas as suas dimensões, acompanhando-a regularmente e ajustando o tratamento medicamentoso sempre que necessário. A pedopsiquiatria faz o mesmo com crianças e adolescentes, envolvendo a família e adaptando a intervenção ao desenvolvimento de cada jovem.
Aqui, cada pessoa é vista como única, e o cuidado é pensado para que se sinta compreendida, apoiada e capaz de enfrentar os desafios da vida.
Daniela Jeremias


