Depois do enfarte, a corrida contra o tempo continua
Controlar o colesterol já não chega. É preciso actuar sobre o risco residual, inflamatório e aterosclerótico, que continua a ameaçar estes doentes. O enfarte não termina no hospital.
Sobreviver a um enfarte é apenas a primeira vitória, o período que se segue à alta hospitalar continua a ser uma fase crítica, em que o risco de novos eventos cardiovasculares permanece elevado e exige vigilância apertada, cumprimento rigoroso da terapêutica e intervenção médica precoce. Novos dados do estudo internacional REDUCE-IT, publicado no New England Journal of Medicine, reforçam essa realidade. A investigação demonstrou que, em doentes já tratados com estatinas e com colesterol LDL controlado, a introdução de uma terapêutica complementar permitiu reduzir em 25% os eventos cardiovasculares major, incluindo morte cardiovascular, novo enfarte, AVC, revascularização ou angina instável.
O impacto clínico é expressivo: por cada 21 doentes tratados, foi evitado um evento cardiovascular. Uma análise posterior, divulgada no European Heart Journal, revelou benefícios ainda mais significativos em doentes que tinham sofrido enfarte recente, com reduções de risco próximas dos 37% e um número necessário para tratar de apenas 11 doentes. Para o cardiologista Rui Batista, estes resultados confirmam o que a prática clínica mostra todos os dias: “os doentes pós-enfarte permanecem fragilizados e com elevada probabilidade de novo evento”. O especialista defende que os primeiros meses após o enfarte são uma “janela crítica” que não pode ser desperdiçada.


