Saúde | 21-06-2026 12:00

Dietas e tendências alimentares: comece por descartar os mitos

Dietas e tendências alimentares: comece por descartar os mitos
OPINIÃO / DIVULGAÇÃO
Tânia Mercachita - DIVULGAÇÃO / foto DR

No meio de tanta informação sobre alimentação, alguns mitos ganham estatuto de verdade. A literacia alimentar deve, contudo, ser uma prioridade se o objetivo é viver mais anos e com mais saúde.

No meio de tanta informação sobre alimentação, alguns mitos ganham estatuto de verdade. A literacia alimentar deve, contudo, ser uma prioridade se o objetivo é viver mais anos e com mais saúde.
Um dos mitos comuns é o de que “ingerir hidratos de carbono ao final do dia provoca aumento de peso”. Na realidade, esse aumento não depende do horário, mas sim do balanço energético total do dia. É a ingestão calórica excessiva e continuada que contribui para o ganho de peso e não um alimento ou horário específico. Por isso, qualquer plano alimentar deve ser estruturado de acordo com as rotinas, necessidades e nível de atividade física.
Existe também a crença em “alimentos milagrosos” – como chá verde, sumos detox ou certos suplementos – considerados, muitas vezes, soluções rápidas. Contudo, uma perda de peso sustentável não depende de um elemento isolado, mas sim de um conjunto de hábitos: alimentação equilibrada, atividade física regular e sono adequado.
Já quanto ao “jejum intermitente” – implementado, muitas vezes, sem acompanhamento –, as dúvidas multiplicam-se. Embora possa ajudar a gerir horários, reduzir o total de calorias ingeridas ou não petiscar constantemente, o jejum não é uma estratégia superior a outras e, sobretudo, não compensa uma alimentação de má qualidade. Aplicado sem critério, pode provocar fome excessiva, irritabilidade ou episódios de ingestão impulsiva. Além disso, não é adequado a todas as fases da vida ou condições clínicas, pelo que é fundamental uma avaliação médica individualizada, antes de implementar esta estratégia alimentar.
Encontro muitas pessoas frustradas ao seguirem regras rígidas ou conselhos generalistas que não se adaptam à sua realidade. A verdade é que não existe uma solução única, pois cada pessoa tem necessidades, preferências e contextos distintos.
Mais importante do que seguir tendências, é desenvolver uma relação informada e saudável com a alimentação. Quando decidir mudar de hábitos, procure o apoio de um profissional de saúde qualificado, capaz de o ajudar a construir estratégias realistas, ajustadas e seguras!
Tânia Mercachita
Nutricionista no Hospital CUF Santarém

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