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Paulo César (à esquerda) acompanhado pelo Director da Segurança Social de Santarém, António Campos

Deficientes limitados no acesso ao ensino

Professores sem preparação e escolas sem material

A falta de material didáctico e a pouca preparação dos professores para lidar com alunos especiais, são alguns dos factores que dificultam a integração dos deficientes nas escolas. A afirmação foi feita por Paulo César, um invisual de Santarém, durante o seminário sobre acessibilidades, integrado no ano europeu das pessoas com deficiência. A iniciativa decorreu quinta-feira, dia 12, no Centro Nacional de Exposições em Santarém.

Paulo César, de 28 anos, sublinhou que nem sempre os professores têm preparação mínima para lidar com as pessoas deficientes. “Os professores das escolas públicas deviam ter, durante o seu curso, cadeiras de formação em novas tecnologias que estão ao serviço dos deficientes. Isso era fundamental”. Para este deficiente os computadores que existem nos estabelecimentos de ensino público não estão preparados para cegos ou pessoas com outras limitações. Os meios informáticos até existem, mas faltam os programas específicos. “Há um programa que através da voz vai dizendo o que aparece no monitor, seja escrita ou tabelas. Isso é fundamental para cegos, por exemplo”, explica. Paulo César, licenciado em sociologia, defende ainda a existência de aulas de apoio especificas para deficientes, de modo a ajudá-los a estudar.Outro dos problemas são os custos. Um deficiente, para além de ter que fazer mais esforço para aprender, está também limitado em termos económicos. Paulo César explica porquê: “Uma caixa de 500 folhas para uma impressora braille custa mais de 30 euros, enquanto a mesma quantidade de papel normal não vai além de 5 euros.” E não é só o papel. “Durante o tempo que estive a estudar na universidade comprei mais de 3 mil cassetes nas quais gravava as aulas para depois ouvir em casa e estudar”. Mas se estudar já é difícil, arranjar um emprego ainda é pior. “Os concursos públicos são uma fachada. Um deficiente tem capacidades para trabalhar e se for treinado pode desempenhar funções como outro qualquer. Mas as portas fecham-se só por sermos deficientes. O mais ridículo é quando os centros de emprego duvidam da nossa capacidade para trabalhar”, desabafa, acrescentando que a “mentalidade dos empresários continua arcaica”. A tudo isto estão também associadas as limitações de circulação e de acesso a instituições públicas. Para o invisual, ir à estação de correios de Santarém é um martírio. “Não há ninguém para nos informar nem ajudar. Comprar um simples selo pode ser uma tarefa complicada. Também não vale a pena ir à máquina porque não está preparada”, destaca, continuando a criticar a falta de rampas de acesso aos serviços públicos, a existência de passeios muito altos que impedem a circulação de cadeiras de rodas. Aceder a uma caixa multibanco ou fazer um telefonema numa situação de emergência numa cabina pública também é impossível. Com tantas limitações, Paulo César deixa um desabafo final: “Esperamos que as coisas mudem. E que os governantes e cidadãos deste país olhem para estas situações com olhos de ver”.O “Encontro sobre Acessibilidades”, integrado no Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, foi organizado pela APPACDM, Associação de Municípios da Lezíria do Tejo, Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social, CNEMA, Instituto Politécnico de Santarém e UNICRISAMO.
Paulo César (à esquerda) acompanhado pelo Director da Segurança Social de Santarém, António Campos

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