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Os meninos da avó

Os meninos da avó

Paulo e Pedro Pereira, irmãos de sangue, músicos por vocação

Pedro e Paulo Pereira integraram a banda Meninos da Avó e durante oito anos percorreram o país, participando em centenas de concertos. Hoje formam o Quarteto dos Três Irmãos Paulo e Pedro, um nome tão invulgar, quanto os espectáculos que proporcionam a públicos diversificados. Dois ex-seminaristas com raízes em Benavente para quem a vocação musical falou mais alto.

Edição de 20.08.2003 | Cultura e Lazer
São dois irmãos com feitios muito semelhantes. Talvez por isso os choques sejam inevitáveis, tanto dentro como fora do palco. Paulo Pereira, 38 anos, e Pedro Pereira, 32, são ambos do Benfica, são ambos casados pela igreja, foram seminaristas, fizeram teatro amador e responderam ao apelo da música, com a qual mantêm uma relação de dependência, alimentada primeiro pela banda Meninos da Avó e actualmente pelo duo que tem por nome Quarteto dos Três Irmãos Paulo e Pedro.Os músicos foram dois dos quatro “Meninos da Avó” que durante oito anos (90/98) percorreram o país. Os rapazes do “Rapa o Tacho” já não tocam este tema, mas não colocam de lado a hipótese de recuperar um projecto que “criogenou” – ou seja, não acabou, mas está congelado e vai demorar algum tempo até estar pronto para ser novamente servido.Os irmãos Pereira dedicam-se ao teatro e fazem alguns espectáculos em bares e festas. Os músicos projectam e concebem espectáculos direccionados para públicos específicos e encomendados por empresas dos mais variados sectores. Muitas vezes são complementos de acções de formação de quadros que misturam a componente didáctica com a lúdica. Um projecto exigente que os obriga a uma actualização permanente. “Por vezes um espectáculo de uma hora demora semanas a preparar”, explica Paulo Pereira. O criador dá como exemplo um espectáculo encomendado por um laboratório médico que obrigou os irmãos a estudarem medicina e a conversarem com um médico durante horas. Paulo Pereira mantém o espírito de boa disposição dos tempos dos Meninos da Avó. No palco e na rua é um homem bem disposto que parece levar a vida na desportiva. Vive em Algés e aproveita todo o tempo livre para estar com os filhos e gozar o seu crescimento. O irmão Pedro vive na Costa da Caparica, onde a proximidade do mar é um estímulo. Mas, o músico gosta mesmo é de estar no fundo do mar. É monitor de mergulho e por estes dias está em Porto Santo para mais umas viagens indescritíveis ao mundo submarino. “É um momento de grande prazer que transmite uma paz enorme”, comenta. Pedro e Paulo não esquecem o grupo de amigos em Benavente e visitam os pais “sempre que o senhor Manuel Pereira (pai) os convida para um jantar”.AS RAÍZES EM BENAVENTEA família Pereira instalou-se em Benavente em 1973, quando o chefe de família trocou a profissão de chefe de guarda-rios por vendedor de seguros. Paulo tinha nascido em Rio Maior e Pedro em Valada do Ribatejo, concelho do Cartaxo. “Nós somos de Benavente. Foi aqui que crescemos”, dizem.Desde sempre estiveram ligados à paróquia. A última vez que tocaram em Benavente, antes do concerto do dia 2 de Agosto nas Festas de Nossa Senhora da Paz, foi para angariar fundos para as obras na Casa Paroquial. “Não podíamos dizer que não. A paróquia de Benavente fez parte das nossas vidas”, lembra Paulo Pereira, o maestro do coro do grupo de jovens por onde passaram largas dezenas de benaventenses. O pedido foi feito pelo padre Tarcísio que foi colega de Paulo Pereira no seminário em Vila Viçosa.A vida do músico esteve sempre próxima da religião. Paulo Pereira deu aulas de religião e moral e estudou Teologia, mas não acabou o curso. “Era um curso muito longo e eu pensei que quando conseguisse acabar estaria perto da reforma e não valeria a pena”, ironiza. “A música falou mais alto”, acrescenta.A primeira actuação dos irmãos Pereira foi num bar de Salvaterra com uma banda que se chamava Meninos do Coro, um grupo de amigos que nasceu no coro da igreja. “A partir daí foi sempre a descer”, volta a ironizar Paulo Pereira.O período mais mediático da carreira dos músicos coincide com a vida dos “Meninos da Avó”. Foram oito anos de estrada com centenas de espectáculos, dois discos e duas mãos cheias de sucesso. Pedro Pereira justifica a suspensão do projecto com o facto do grupo ter perdido a sintonia. “Já não remávamos todos ao mesmo ritmo”, diz. Naná e Paulo, os outros “meninos”, trabalham nos seus estúdios privados, mas os quatro músicos continuam a encontrar-se e mantêm a amizade. Os irmãos Pereira garantem que não ganharam muito dinheiro com o êxito dos Meninos da Avó porque o grupo não vendeu muitos discos, era mais uma banda de espectáculo. Os cachets foram subindo, mas as despesas de produção (tocavam com o mesmo equipamento e os mesmos técnicos dos GNR) do espectáculo também e no final quando contavam o dinheiro era sempre o mesmo. “O cachet atingiu os mil e tal contos e no fim cada um de nós ficava com 50, 60 contos. Apostámos na qualidade e no prazer que nos dava e não nos preocupámos em fazer dinheiro”, explicam. Nos espectáculos do Quarteto dos Três Irmãos Paulo e Pedro, os guiões são dirigidos a públicos específicos e conciliam a música de qualidade (Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Trovante, entre outros), com o humor sobre a actualidade. A boa disposição está no sangue dos seminaristas que um dia responderam ao apelo da música. Já lá vão 16 anos de trabalho conjunto com muitas divergências, mas que não duram mais que alguns minutos. “Os verdadeiros irmãos são assim”.
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