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O encerramento das pontes obriga os camionistas a seguir por caminhos difíceis

Andar para trás

Encerramento das pontes de Coruche e Muge deixa camionistas com poucas alternativas rumo ao sul

O encerramento simultâneo ao tráfego de pesados das pontes de Muge e do Sorraia Velho obriga os camionistas da região a usar caminhos alternativos rumo ao sul que lhes roubam tempo, combustível e paciência. Que o diga Sérgio Teodósio, que para ir de Almeirim a Évora tem de passar por Vila Franca de Xira utilizando a congestionada EN 3. O MIRANTE acompanhou parte da viagem.

Edição de 20.08.2003 | Sociedade
Segunda-feira, seis e meia da manhã. Sérgio Teodósio sai da fábrica da Compal, em Almeirim, para se dirigir a Évora, onde vai descarregar 11 toneladas de sumo. Devido ao encerramento a pesados das pontes de Muge (Salvaterra de Magos) e do Sorraia Velho, em Coruche, o camionista é obrigado a fazer um desvio por Vila Franca de Xira. Anda quase o dobro do caminho, e gasta mais uma hora e meia ao volante, em relação ao que é habitual.Habitualmente Sérgio Teodósio, da empresa de transportes Natália & Fortunato, fazia o percurso para Évora pela Estrada Nacional 114 até Coruche. Na segunda-feira teve que atravessar a Ponte Salgueiro Maia que liga Almeirim e Santarém e depois apanhar a Estrada Nacional 3 em direcção ao Cartaxo. Antes daquela ponte uma placa amarela avisa que o trânsito está condicionado na ponte de Muge. “Esta é a primeira armadilha. A placa não especifica que o trânsito está proibido a veículos pesados. Alguns colegas não sabem e acabam por passar lá, arriscando uma multa”, vai dizendo o motorista, enquanto faz contas à vida. “De Almeirim a Évora costumava demorar duas horas no máximo. Mas por este desvio estou a ver que as coisas vão ser complicadas. Só me vou despachar às tantas da noite”, desabafa. O camião, com 18 metros de cumprimento, avança sem problemas até à Ponte da Asseca, entre Santarém e o Vale de Santarém. A travessia, palco frequente de acidentes, é apertada e obriga a atenções redobradas quando se cruzam dois pesados. O motorista tem que pôr o pé no travão e reduzir para menos de 30 quilómetros hora para dar passagem a outro camião. “Se apanharmos um tractor antes desta ponte só vamos conseguir livrar-nos dele perto da Azambuja. São cerca de 30 quilómetros a baixa velocidade”, afirma, acrescentando: “Nesta altura da apanha do tomate há dias em que é um martírio circular nesta zona. Só existem dois sítios onde é possível ultrapassar, na recta de Vila Chã de Ourique ou a seguir a Cruz do Campo. Mas para isso é preciso não haver trânsito de frente, porque um camião carregado não consegue desenvolver tão rápido como um automóvel”. O motorista explica que por vezes sai mais cedo, por volta das seis e meia da manhã, para se livrar do trânsito. “A partir das oito horas esta estrada, que já tinha um tráfego muito intenso e que agora passou para o dobro do habitual, é um caos”, acrescenta. Outro dos locais que dá muitas dores de cabeça é a vila de Vale de Santarém. A estrada, que passa por dentro da localidade, é estreita e só com alguma perícia não se bate com o reboque do camião nos beirados das casas. O camionista tem que travar por duas vezes quase a fundo para deixar passar outros veículos.Às 7h10, quarenta minutos após ter saído de Almeirim, o motorista chega a Azambuja. Numa rotunda há escorrências de tomate no pavimento. Uma autêntica armadilha. O camião escorrega e começa a fugir para a direita. “O que vale é que venho quase parado. Se alguém entrar com mais velocidade na rotunda pode ter um acidente complicado”, comenta. No Carregado, onde depois apanha a estrada para Vila Franca de Xira e posteriormente para Porto Alto, a situação também não é fácil. “Só para passar o cruzamento do Carregado chega-se a esperar um quarto de hora”, diz. É por isso que Sérgio Teodósio não tem dúvidas que este desvio só prejudica. “Isto é só andar para trás”. “Por aqui o trânsito é pior porque há muitas curvas apertadas e nalguns pontos a estrada é estreita. Na recta antes do Vale de Santarém, que corre ao lado da linha do comboio, há uma vala funda de um lado e um muro do outro. Já lá parti dois espelhos a cruzar-me com outros camiões”, sublinha. Para o motorista, natural de Almeirim, a Estrada Nacional 118, entre Almeirim e Samora Correia, passando pela ponte de Muge, é muito melhor porque tem mais rectas. Apesar de se atravessar algumas localidades. “Mesmo com a ponte de Coruche encerrada, por este caminho poupava-se algum tempo, apesar de se fazer mais quilómetros. Mas como a ponte de Muge está em mau estado, não há mais nenhuma alternativa. Ou vamos pela Nacional 3 até Vila Franca ou pela auto-estrada A1, que é caríssima”. O condutor acabou por chegar a Évora, local de descarga da mercadoria, com uma hora e meia de atraso em relação ao habitual. Ao todo percorreu cem quilómetros a mais. Se estas contas se forem somando todos os dias a empresa acaba por ter alguns prejuízos, sobretudo com o gasóleo a mais que se consome e com o desgaste do veículo. Recorde-se que a ponte de Muge (Na E.N. 118) foi encerrada aos pesados na semana passada, devido a problemas de segurança nas vigas de apoio, que abateram. O trânsito de ligeiros faz-se apenas por uma faixa de rodagem. Até ao fim do mês esta situação deve ficar resolvida. Na ponte sobre o Sorraia Velho (E.N.114) em Coruche, foram detectados problemas nos pilares, esperando-se que a situação se resolva até ao fim do ano.
O encerramento das pontes obriga os camionistas a seguir por caminhos difíceis

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