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Criar templos onde vivem os fiéis

Igreja Católica adapta-se aos novos tempos em busca de audiência
Edição de 20.08.2003 | Sociedade
Instalar provisoriamente uma igreja numa garagem ou numa escola são práticas seguidas pela Igreja Católica para que toda a vivência religiosa esteja próxima das comunidades. Os templos tradicionais situam-se nos centros históricos das cidades, onde antes viviam os fiéis, mas aí cada vez há menos gente a residir e o lugar para estacionar não abunda. Em Santarém, na populosa urbanização de S. Domingos, existe uma igreja numa garagem. No Entroncamento, após uma luta de muitos anos, foi construído um novo templo na zona nova da cidade. Se os fiéis não vão à igreja, vai a igreja até junto dos fiéis. Foi seguindo esse mote que, em Santarém, a diocese decidiu construir duas novas igrejas na periferia, junto das urbanizações do Jardim de Cima e de S. Domingos. No último caso, até já foi provisoriamente instalado um local de culto numa garagem. “Ao longo dos tempos sempre foi assim, começa-se por um local provisório e depois constrói-se o templo. A comunidade religiosa sempre antecedeu a construção de uma nova igreja”, esclarece Aníbal Vieira pároco de S. Domingos.O bairro situado na periferia de Santarém é uma das zonas novas e mais populosas da cidade, onde era necessário que a igreja estivesse representada. “Quando fui nomeado pelo senhor bispo para este local fiquei com a responsabilidade de criar uma comunidade em S. Domingos”, diz o sacerdote. E se bem o pensou melhor o fez.Aníbal Vieira foi nomeado em 1999 e durante o ano 2000 tentou arranjar um local condigno para a celebração. Adquiriu uma garagem com a ajuda da comunidade e da diocese. “Andei de porta em porta, entregámos cartas, umas pessoas responderam outras não, mas em Dezembro de 2000, aquando da visita da Virgem Peregrina pela diocese iniciámos a celebração”.A igreja improvisada numa garagem das traseiras dos prédios da Avenida Marquês de Pombal deixará de funcionar quando for edificada uma construção de raiz. “Temos a promessa de uns terrenos na Quinta das Cortezas e a diocese tenciona utilizá-las”. As verbas para financiar o empreendimento ainda não existem, mas essa situação não preocupa Aníbal Vieira: “Não há verbas, nem nunca há verbas, mas para as obras que são de Deus as verbas aparecem. Normalmente as comunidades locais quotizam-se, a diocese ajuda, e o Estado também”.Actualmente, em S. Domingos há missa dominical às 17h30 e a catequese conta já com cerca de 60 crianças. “Não é só a distância que afasta as pessoas das igrejas nos centros históricos, nos dias de hoje há outro factor muito importante, a ausência de estacionamento. Não é por acaso que a missa das 19 horas na Igreja de Jesus Cristo é uma das mais concorridas, tem espaço para estacionar”, observa o pároco de São Nicolau.UMA PARÓQUIA QUE DEU EM FREGUESIANo Entroncamento, a construção da Igreja de Nossa Senhora de Fátima deu origem à criação de uma nova paróquia e também de uma nova freguesia. Mas nem tudo foram rosas. O processo foi lento e tal como no bairro de S. Domingos, em Santarém, o templo foi primeiramente instalado num local provisório.A história já vem dos tempos da segunda guerra mundial, quando um padre local demonstrou o desejo de construir uma nova igreja em honra de Nossa Senhora de Fátima caso Portugal não entrasse na guerra. A intenção manteve-se e em meados dos anos 90 a nova igreja foi inaugurada. “O Entroncamento está dividido ao meio, esta é uma zona nova e a população foi-se consciencializando da necessidade de construir uma nova igreja. A freguesia surgiu depois, mas o contrário também teria sido possível”, adianta José Luís Borga, pároco local.A procura de respostas que aproximem os crentes da vida religiosa é uma preocupação de todas as igrejas: “O vazio dá azo a tudo, sem nada uma pessoa torna-se mais vulnerável e num mundo destes é preciso que as instituições credíveis ou que se querem credíveis encontrem respostas. Essa é uma das razões para que o bispo de Santarém tivesse achado por bem que esta cidade tivesse um outro templo”, diz e remata: “A religião tem de estar próxima das comunidades, se não houver missa num raio de 5 ou 10 quilómetros as pessoas sentem-se dispensadas de ir. Por outro lado, a religião é como o sal, deve estar misturada com as populações”.

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