Gestão das águas decidida este mês
Barquinha, Constância e Entroncamento aguardam conclusão de estudo económico
Os municípios de Entroncamento, Constância e Vila Nova da Barquinha vão saber este mês se têm ou não condições para serem integrados nas Águas do Centro.
A decisão sobre a entrada ou não dos concelhos de Entroncamento, Constância e Barquinha no sistema de abastecimento de água gerido pela empresa Águas do Centro vai ser conhecida ainda este mês.A confirmação foi dada pela própria administração da empresa sediada em Castelo Branco. Duarte Silva, administrador da Águas do Centro, referiu a O MIRANTE que todos os passos já foram dados, faltando apenas o estudo económico-financeiro do processo de transferência de responsabilidades, que está a ser ultimado. “Até final do ano iremos tomar a decisão final sobre se há ou não condições para as três autarquias integrarem o sistema”, afirmou o administrador.Duarte Silva não escondeu no entanto que será o estudo económico-financeiro a ditar as regras. Porque é ele que vai dizer se o benefício para a empresa Águas do Centro valerá o custo dessa integração.Qualquer um dos três municípios em questão é composto por uma área geográfica reduzida, à partida um dado vantajoso relativamente a outros dos 13 municípios já integrados.Mas se de um lado está o previsível menor custo de investimento no que respeita a construção e manutenção de infra-estruturas (condutas adutoras, reservatórios e estações de tratamento), do outro há que ter em conta o número de habitantes e o valor per capita do investimento.“A tarifa do abastecimento de água paga por cada um dos 13 municípios é idêntica, cerca de 40 cêntimos por metro cúbico, e as autarquias que compõem a Águas do Centro não podem ser penalizadas, em termos de tarifas, pela entrada de novos concelhos”, sublinhou o administrador.Do mesmo modo, as autarquias também não pretendem ver aumentado o preço do metro cúbico de água pelo facto de integrarem um novo sistema. O presidente da Câmara de Constância, António Mendes (CDU), por exemplo, foi bem claro quanto a essa questão.“Em caso algum queremos pagar mais do que pagamos actualmente à EPAL”, referiu António Mendes, adiantando que o cenário pior que admite é pagar um valor idêntico ao actual. “Sei que neste momento o preço praticado nas Águas do Centro é ligeiramente inferior ao que pagamos”.Na calha para integrar o sistema multinacional de abastecimento de água da empresa estão igualmente outros quatro municípios do distrito de Santarém - Abrantes, Alcanena, Mação e Sardoal. E, quando entrarem, entram todos juntos, garantiu Duarte Silva.Aliás, pode até dizer-se que Barquinha, Entroncamento e Constância têm funcionado como uma pedra na engrenagem do sistema, já que estão condicionadas pelo facto de terem contratos de fornecimento com a EPAL.Qualquer um dos outros municípios tem captações próprias (Mação chega a ter 90 captações em todo o concelho), o que torna mais fácil as negociações.Enquanto nos restantes municípios o diálogo é feito entre a empresa e a autarquia, no caso dos concelhos de Barquinha, Entroncamento e Constância tem de se coordenar os interesses do município, da Águas do Centro e da EPAL. Embora Duarte Silva afirme que, sendo ambas as empresas pertencentes ao grupo Águas de Portugal, as conversações têm sido mais fáceis.Com ou sem os três municípios do Médio Tejo, a Águas do Centro irá continuar a realizar os investimentos que tem previstos até 2006, ano em que acaba o III Quadro Comunitário de Apoio.Para cobrir 95 por cento do abastecimento de água e 85 por cento da rede de esgotos dos 13 municípios que actualmente integram o sistema, a Águas do Centro prevê investir 170 milhões de euros (35 milhões de contos) nos próximos três anos. Margarida Cabeleira
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