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O autarca bombeiro

José Viegas, presidente da Junta de Freguesia de Pernes
Edição de 21.01.2004 | O poder local aqui tão perto
Francisco José Viegas Santos, mais conhecido por José Viegas, era daqueles que ia de Pernes a Lisboa para assistir com fervor militante aos jogos do seu Benfica no já extinto Estádio da Luz. Hoje, o presidente da Junta de Freguesia de Pernes já não tem tanto tempo disponível para essas excursões, que acabavam sempre num petisco entre amigos. E o clube do seu coração, de que é sócio desde muito jovem, “e com as quotas em dia”, também já não o empolga tanto. “Já não vou ao futebol há alguns anos. Ainda não fui ao estádio novo”, confessa. Tal como já não vai à tourada ou a pescarias com a assiduidade de outros tempos.Com 41 anos, José Viegas vai já numa longa carreira autárquica. Está no segundo mandato como presidente da Junta de Freguesia de Pernes, depois de ter feito quatro anos como tesoureiro e outros tantos como secretário da mesma autarquia. Ao todo são catorze anos de política activa, vividos por um homem que não se considera político nem tem militância em qualquer partido. “Tenho as minhas próprias ideias, que põem as pessoas acima dos interesses político-partidários, financeiros ou outros”, diz o independente eleito nas listas da CDU.Casado e pai de duas filhas, José Viegas é daquelas pessoas para quem o tempo é sempre escasso. Além das funções autárquicas é comandante dos Bombeiros Voluntários de Pernes. Cargo que desempenha há cerca de uma década e que o realiza profissionalmente. Tanto que se fosse obrigado a optar entre a junta e os bombeiros, não hesitava: “Escolhia os bombeiros!”. O que até nem surpreende. Afinal, foi na associação humanitária que iniciou a sua vida associativa e a que está actualmente vinculado profissionalmente, sendo responsável pela parte administrativa. Antes, dera uma mãozinha num escritório de contabilidade da vila, pouco tempo depois de ter feito o sétimo ano no antigo Liceu Sá da Bandeira, em Santarém, para onde entrou aos dez anos. Nos bombeiros ficou também ligado aos corpos gerentes logo aos 18 anos, quando foi convidado para integrar a direcção. Tempos mais tarde foi desafiado para o cargo de adjunto de comando, pelo comandante de então, Raul Violante, que mais tarde chegaria a responsável distrital da Protecção Civil. Ao aceitar traçou um rumo ao qual tem consciência de que já dificilmente poderá fugir. “Os bombeiros deverão ser a minha vida depois da política”.O que até pode estar para breve. José Viegas não sabe se vai recandidatar-se, mas assume que gostaria de deixar o cargo só após alguns projectos estarem concluídos. Como a requalificaçao do largo do Rossio. Ms sempre adianta que a sua missão “é ingrata”. “Muitas vezes sinto-me moço de recados. Recebo queixas da população e levo-as à câmara. Quando a junta de freguesia, com mais competências e meios, poderia resolver os problemas de imediato”.Depois da política sobrará também mais tempo para dar atenção à família, um défice que assume – “dão-me imenso apoio” - e de que se penitencia consagrando à esposa e às filhas os poucos tempos livres. Seja para dar um passeio pelas imediações, aproveitados também para ver algumas obras, seja para ir até à praia ou a um teatro a Lisboa. “Ainda há pouco tempo fui ver a revista que está em cena no Parque Mayer”, diz, revelando que o teatro e o cinema são duas artes que o atraem, sobretudo no género de comédia. “Para dramas, já bastam os do dia a dia”.

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