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Desembaraçado Manuel Serra d’Aire

Edição de 06.09.2006 | E-mails do outro mundo
É interessante a tua reflexão sobre as mais valias dos centros comerciais, designadamente ao nível das instalações sanitárias. Subscrevo os teus argumentos e acrescento alguns outros de peso. Esqueceste-te de referir que os centros comerciais são também autênticos viveiros de gajas boas e um óptimo local para os velhos lavarem as vistas e porem a conversa em dia sem terem de se sujeitar aos caprichos do tempo. Num centro comercial nunca chove nem faz sol. Nunca está calor nem nunca se sente frio. Não há lixo nem passeios sujos pelos cães. Tem-se sempre música ambiente e a paisagem é tentadora, sobretudo para aqueles que já só vão comendo com os olhos. E não há consumo mínimo obrigatório. Melhor que isto é difícil!Mudando de assunto: era importante que as câmaras e outras organizadoras de eventos tivessem algum cuidado na escolha dos nomes para as suas feiras, festas e ramboiadas do género. E digo isto pensando sobretudo na edição do “Pão, Vinho e Companhia” que decorreu mais uma vez em Almeirim.Qualquer pessoa mais atenta vê logo que “Pão, Vinho e Companhia” remete para a simbologia cristã. E com esses assuntos, como todos muito bem sabemos, não se deve brincar. Mesmo que seja de forma inocente, como parece ser o caso. Pão, vinho e companhia foi precisamente o que Jesus Cristo teve na última ceia. E o resultado foi o que se sabe. Não havia, pois, necessidade, como diria o saudoso Diácono Remédios.Aliás começo a desconfiar que não é por acaso que aquele certame parece marcado pela negativa. Há uns anos foram as ratazanas que invadiram o recinto em busca de ração melhorada. Depois foi um vendaval que mandou as tendas pelos ares. Quem sabe se não está aqui um sinal de ira divina. Baptizem o evento como Feira da Caralhota e vão ver o sucesso. Quem é que consegue resistir à curiosidade, por exemplo, de participar numa acção de degustação de caralhota? Aliás, se a caralhota é já um símbolo de Almeirim, porque o escondem do nome da feira? Deixem-se de pudores e chamem os bois pelos nomes. À caralhota o que é da caralhota.Espevitado Manuel Serra d’Aire não posso ir-me embora sem falar na guerra das pipocas em Tomar. Parece que a câmara não aceita que a Lusomundo projecte filmes no renovado Cine-Teatro Paraíso e ao mesmo tempo monte ali banca para vender pipocas e outras javardices do género. Cinema sim, mas conspurcar o nobre espaço com milho, que é comida de galinha, nem pensar.E eu apoio a câmara e o seu destemido presidente António Paiva. Mesmo que isso signifique que não haja cinema diariamente na cidade. Chega de ceder aos americanos. Que nos empanturrem com super-homens, homens-aranhas, batménes e outras figuras que se vestem de forma duvidosa ainda vá que não vá. Mas obrigarem-nos a comer milho regado com coca-cola é que não. E muito menos em Tomar. Ainda se servissem uns petiscos e umas “pomadas” da famigerada Casa das Ratas…E com estas profundas reflexões me vou. Um bacalhau à Serafim das Neves

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