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“Plataforma é um grande atentado ambiental”

CDU contesta localização de infraestrutura em zona de Reserva Agrícola Nacional em Castanheira do Ribatejo

A plataforma logística está prevista para um terreno classificado como Reserva Agrícola Nacional e sob o qual se encontra uma importante reserva de água doce.

Edição de 06.09.2006 | Política
A CDU não concorda com a escolha do terreno para a implantação da anunciada plataforma logística da Castanheira do Ribatejo. Defendem que esta opção se trata de “grande atentado ambiental” e um “inqualificável desrespeito pelo ordenamento do território vigente”.Numa declaração política apresentada na reunião do executivo de 30 de Agosto a coligação considera que o projecto de construção da plataforma do grupo Abertis contraria os instrumentos de ordenamento do território e de planeamento em vigor. Classificada como Reserva Agrícola Nacional no actual Plano Director Municipal (PDM), a área de 100 hectares, extensíveis a 150, será desafectada de acordo com a revisão do PDM em curso. Um facto criticado pela CDU por contrariar o Programa Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROT-AML) que vê o aluvião da Castanheira, uma das reservas hídricas de Área Metropolitana de Lisboa, “como área agrícola a estabilizar”. Adiantam ainda que a decisão é “irresponsável politicamente” por ignorar o facto de se tratar de um “estratégico lençol freático protegido com camadas de argila, uma das maiores reservas de água doce do país”. Defendem, por isso, que “face aos incalculáveis prejuízos ambientais que poderão ocorrer na Castanheira do Ribatejo, é forçoso pensar a construção desta infraestrutura noutro local, com outros encargos e sacrifícios ecológicos”.A presidente da Câmara de Vila Franca de Xira afirmou-se “surpreendida” por a CDU “menosprezar a importância que um investimento desta natureza tem para o município de Vila Franca de Xira”. A plataforma do grupo espanhol Abertis representa um investimento de 370 milhões de euros e prevê a criação de 25 mil postos de trabalho directos e indirectos. Maria da Luz Rosinha lembrou que será realizado um Estudo de Impacte Ambiental, uma decisão que surgiu depois da contestação de diversas associações ambientais. A edil frisou ainda que “o PCP nem sempre teve a mesma posição senão não teria em 1994 assinado o protocolo que ainda hoje não está resolvido, a UD4.”O vereador Francisco Vale Antunes acrescentou que a CDU “viabilizou aquele tipo de loteamento com as condicionantes iguais ou piores” às do terreno agora em causa na Castanheira. O responsável acusou ainda a coligação de ter uma postura diferente enquanto oposição. O vereador comunista Carlos Coutinho referiu que o partido não põe em causa o projecto, mas o local e adiantou que “não há provas que tenha sido procurada outra localização”. O vice-presidente da autarquia Alberto Mesquita (PS) defendeu que houve “dificuldade em encontrar espaços com a dimensão necessária”.Por seu lado, o vereador do PSD Rui Rei defendeu que “o governo tem tudo menos um plano logístico para o país” que considerou não passar de “um conjunto de power points”. O vereador lançou ainda o apelo para que a Abertis traga para o concelho “o melhor que tem”. Nuno Libório considerou que o PS do concelho é “pouco exigente, aceita tudo o que lhe dizem”. O vereador da CDU defendeu que o projecto da plataforma logística é “útil, estratégico e fundamental para o desenvolvimento do concelho”. Mas, acrescentou que “provavelmente existiriam outros terrenos.”Maria da Luz Rosinha sublinhou a “boa-fé” do município no tratamento deste caso que garantiu que vai ser analisado “com a responsabilidade que ele merece”.

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