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Cem jovens músicos vão mostrar o que aprenderam com maestro holandês

Cem jovens músicos vão mostrar o que aprenderam com maestro holandês

Curso de sopros promovido pela associação Canto Firme de Tomar tem projecção nacional

A terceira edição do curso que decorre em Tomar registou um “boom” no número de participantes.

Edição de 12.09.2007 | Cultura e Lazer
Os sons altos agridem os ouvidos. O maestro vai dizendo “Piano! Piano!” e os mesmos sons tornam-se mais melodiosos. A música entoa sala fora e quem passa à porta da associação Canto Firme, em Tomar, sente curiosidade de entrar e ver o que lá se passa. Encontra uma orquestra enorme, com cem jovens de camisolas coloridas e ar descontraído, alguns deles ainda franzinos mas com imensa vontade e vêem no meio um homem aloirado, alto, de faces rosadas, que vai dançando à medida que conduz os alunos pelas notas de música. Todos fazem parte do III Curso de Sopros promovido pela associação cultural. A formação teve início no sábado e irá culminar com a apresentação de dois concertos na cidade, um na sexta-feira e outro no sábado, onde dezenas de jovens apresentam o resultado de uma semana de trabalho intenso.Os alunos de instrumentos de sopro chegam de vários pontos do país, mas a grande maioria é da região. A pequena Mariana Frias, com 11 anos, é a “mascote” do grupo. Envergonha-se quando fala sobre o que a levou a querer integrar o curso. “Tem sido uma boa experiência”, refere a aluna da Canto Firme. A maior dificuldade é entender o enorme maestro holandês, que usa o inglês para tentar comunicar com os alunos. Mariana ainda é pequena demais para estar à vontade com a língua, mas esforça-se por perceber. “Entendo mais ou menos”. Jouke Hoekstra sabe que a comunicação não é o seu forte. “Eu sei que apenas metade da orquestra percebe o que estou a dizer. Mas como a música é uma língua universal, no fim acho que não há problema”.A maioria dos instrumentistas que integra o curso de sopros já tem alguns anos de música. Os jovens mostram-se entusiasmados com o que estão a aprender. Jaime Gomes, de Santarém, já é repetente. Voltou por causa do maestro. “É completamente diferente, é da escola holandesa… Aprendemos muito só de olhar para ele”, diz o jovem músico que no futuro quer integrar uma banda militar para continuar a tocar saxofone alto. O mesmo acontece com Eunice, que veio de Portimão munida do seu clarinete. “No próximo ano vou para o ensino superior e quero seguir música”, revela. Quanto ao curso, Eunice não tem dúvidas sobre a qualidade: “O repertório é muito bom e o maestro excelente!”. Uma opinião que não é consensual. “É mais ou menos”, diz a Tatiana, de Aveiro. “Ele tem alguns aspectos bons e outros menos bons. Mas há muita musicalidade com este maestro”.O sucesso do curso promovido pela Canto Firme revela-se no número elevado de alunos que acolheu este ano. Segundo o presidente da associação, no primeiro ano o curso integrou 30 jovens, no ano seguinte trouxe mais 50 e “este ano houve este boom”. A publicidade foi feita de boca em boca e o sucesso deve-se ao maestro holandês que todos os anos regressa a Tomar. “Adoro isto. Aqui sinto-me como se estivesse em casa”, sublinha Jouke Hoekstra. A simpatia e o acolhimento dos portugueses é bem diferente da rigidez que o maestro diz sentir no seu país de origem.“Cá falam muito durante os ensaios. Eu já lhes disse que para aprenderem precisam de estar em silêncio e ouvir-me”. A técnica para fazer calar os alunos mais barulhentos passa por ter sempre um sorriso nos lábios. “Eu não me zango com eles. Não consigo”. O professor, filho e neto de maestros, também já percebeu que a “pontualidade” não é muito portuguesa. “Noutro dia tínhamos ensaio às 11h00 e ninguém se apresentava ao trabalho. Então ameacei-os que trancava a porta a partir das 11h30 e quem ficasse lá fora já não entrava. Vieram logo todos”, lembra a sorrir. “A hora portuguesa é muito estranha. Se nós marcamos ensaio para as 11h00, chegam uma hora depois”, ri.Concertos gratuitos na sexta e sábadoJouke Hoekstra tece, no entanto, vários elogios aos músicos portugueses. “Alguns são tecnicamente muito bons e tocam com grande paixão”. O maestro, professor também na Holanda, compara os sistemas dos dois países e revela que prefere o português. “Não tenho dúvidas que aqui é melhor, só é pena haver poucos bons maestros em Portugal. Há muita gente a ensinar que não sabe música e por isso encontramos grandes desequilíbrios nesta orquestra”. Ninguém tem dúvidas que vai estar preparado para os concertos do fim da semana. Com quatro a cinco horas de ensaios diários, os jovens e o maestro mostram-se seguros de que tudo vai correr bem. Os concertos integram peças de Mozart, Joaquin Rodrigo, Bert Appermont e Marco Pütz seleccionadas por Jouke Hoekstra. Na próxima sexta-feira, a orquestra actua a partir das 21h30 no Cine-Teatro Paraíso e no sábado, às 18h00, dará o concerto de encerramento no Auditório Fernando Lopes-Graça. As entradas são gratuitas.
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