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“Vila Franca está a viver uma grande apatia cultural”

As pessoas limitam-se a ir ao centro comercial, diz o encenador da companhia Inestética

O encenador da companhia de teatro Inestética de Vila Franca de Xira, Alexandre Lyra Leite, espanta-se com a apatia cultural das pessoas da cidade que deixaram ir embora o cinema. E se contentam com uma ida ao centro comercial.

Edição de 12.09.2007 | Cultura e Lazer
Quem é o público da Inestética?Um público urbano que ronda os 18 e os 40 anos. Tem a ver com a linguagem da companhia que é multidisciplinar, mais arrojada. Tentamos não ser bolorentos como uma série de projectos que existem por ai e são uma enorme maçada. Mais do mesmo. Nós tentamos ter assinatura própria, uma linguagem diferente…Qual é a maior dificuldade que enfrentam? Reunir meios financeiros para fazer os projectos. Actualmente encenar e produzir um espectáculo é muito caro e há pouca sensibilidade da parte de determinados sectores da nossa sociedade para isso. Nomeadamente as empresas. Nos Estados Unidos, por exemplo, isso funciona muito bem. Aqui algumas autarquias fazem um esforço de apoio, mas é sempre muito complicado porque é pouco e temos que fazer uma grande ginástica orçamental. Não podemos colocar bilhetes muito caros porque seria incomportável. Há aqui um jogo complicado. Não têm razão de queixa do público.Trazer estas pessoas ao teatro já é uma grande vitória. A maior parte das pessoas vive uma apatia total. Vão ao Jumbo, vêem telenovelas e pouco mais. O cinema em Vila Franca fechou. Por alguma razão terá sido. Quando isso acontece a uma cidade é um mau sintoma. Normalmente há a ideia que o teatro é aquela coisa mais pesada, mais chata. Se isso acontece com o cinema são más notícias para uma série de áreas artísticas. Cada espectador que temos é importante porque foi alguém que conseguiu sair das pantufas e vestir-se. Ir ao teatro exige uma predisposição e uma vontade que é única.E é particularmente difícil fazer teatro em Vila Franca de Xira?Acho que é uma cidade que está a viver uma grande apatia cultural. A responsabilidade disso está repartida por uma série de factores. A Inestética é a única companhia profissional do concelho. Existem mais quatro amadores. Em termos teatrais a dinâmica é escassa. E já nem falo em outras áreas artísticas. É um concelho que se deixou cristalizar. As pessoas, a sociedade civil e nem falo da autarquia. Se não existirem agentes culturais e novos projectos a surgirem caímos numa situação complicada. Vejo que novas gerações não estão com vontade de criar. Nós já andamos nisto há 15 anos e desde que surgimos praticamente não aconteceu nada. Isso é preocupante. Mesmo projectos irreverentes que nos venham dizer que nós somos muito institucionais ou muito chatos. Até acharia graça…Encontraram muitas dificuldades há 15 anos…Mas tivemos uma sorte: conseguimos levar atrás de nós uma série de pessoas que não se reviam na chatice, na monotonia que existia na altura. Uma série de pessoas que estavam fartas de um teatro clássico e bolorento encontraram na Inestética uma nova forma de expressão e fomos fidelizando público desde esse início.

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