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Produção de beterraba bate recorde este ano e os agricultores temem futuro

Ministro diz que receios não têm fundamento e garante futuro da fábrica de Coruche
A cultura de beterraba por hectare atinge este ano números recorde em Portugal, mas a redução da quota de produção de açúcar pode acabar com a cultura na próxima campanha, advertiu o presidente da Associação Nacional de Produtores de Beterraba (Anprobe). Manuel Campilho disse à agência Lusa que a campanha deste ano, cuja colheita vai mais ou menos a meio (com 1.500 dos 2.500 hectares plantados já colhidos), está a revelar valores recorde, da ordem das 90.000 toneladas por hectare, o dobro dos valores obtidos na primeira campanha, há uma década.Sublinhando a importância estratégica desta cultura, que se apresenta como mais uma alternativa para os agricultores portugueses, o presidente da Anprobe acusou o Governo de não ter sabido negociar a reforma para o sector, a qual, frisou, "foi feita de maneira que 2007/2008 será o último ano" desta cultura no país se nada for feito.Para o presidente da Anprobe, o ministro da Agricultura, Jaime Silva, foi "mal informado e mal aconselhado", considerando-o responsável pela redução da quota de açúcar de beterraba das 70.000 toneladas para as 15.000 na campanha de 2007/2008. Reconhecendo que, tendo em conta os custos de produção, em Portugal não é possível produzir açúcar ao preço que está a ser praticado nos mercados mundiais, Manuel Campilho defende a introdução de incentivos para aproveitamento da cultura para a produção de bioetanol.Inconformado por Portugal, que não é excedentário (apenas produz 20 por cento do açúcar que consome), ter sido "tão penalizado como os que contribuem para o excedente", com uma redução percentual igual à dos grandes países produtores, o presidente da Anprobe adverte para a necessidade do aproveitamento desta cultura como biocombustível."É preciso um lobby português para se conseguir mais uma alternativa", disse, sublinhando que o recurso aos cereais para biocombustíveis está a provocar um aumento do preço com implicações nos bens de consumo e consequentemente na inflação e taxas de juro. No seu entender, o apoio à cultura de beterraba para produção de bioetanol, menos rentável mas com menos implicações na cadeia alimentar, deveria vir do imposto sobre os produtos petrolíferos e das penalizações aos que não cumprem o protocolo de Quioto. "É preciso definir se os biocombustíveis são ou não estratégicos e é preciso conhecer qual a posição do ministro sobre esta matéria", disse.Ministro diz que futuro da DAI está garantidoJá o ministro da Agricultura diz que os produtores de beterraba "não têm razões de queixa" com a negociação da quota de redução de açúcar feita pelo Governo português. Jaime Silva afirmou à Lusa que o período de referência escolhido para a negociação - o histórico por agricultor dos últimos três anos ao invés do histórico dos últimos cinco anos como pretendia a associação de produtores de beterraba - visou incluir os agricultores mais produtivos, sobretudo os que surgiram nos últimos anos no Baixo Alentejo com níveis de rendimento superiores à média nacional.Sublinhando o montante significativo de ajudas ao abandono da produção até 2013, da ordem dos 6,4 milhões de euros, o ministro frisou ainda o facto de Portugal ter conseguido garantir a continuação da laboração da DAI, fábrica construída na década de 90 do século XX em Coruche para produção de açúcar de beterraba. No caso da DAI, além de garantir a laboração de uma unidade numa zona interior do país , Portugal conseguiu uma redução da quota de 50 por cento, permitindo a continuação dos apoios, disse. Por outro lado, adiantou, a fábrica está orientada para vir a produzir biocombustíveis.Jaime Silva afirmou que os agricultores que abandonaram a produção de beterraba, recebendo ajudas, não deixaram de produzir, tendo optado pelo milho, que se encontra com os preços em alta, da ordem dos 230 euros a tonelada, num ano de boa produção (17 toneladas de milho por hectare)."Há alternativas à produção de beterraba. Os agricultores não foram descansar para casa, optaram pelo milho e vão ganhar muito", disse, sublinhando que ainda vão ficar mais satisfeitos se for aprovada a proposta de ajudas suplementares para incentivo ao abandono, da ordem dos 12 milhões de euros, que vai ser discutida este mês em Bruxelas. Para o ministro, a beterraba foi estratégica para o país quando não havia alternativa, situação que não acontece num momento em que os cereais, como o milho, alcançam preços recorde. Jaime Silva afirmou que, ao contrário do que aconteceu no resto da Europa, em que o abandono da produção foi inferior ao pretendido (o que leva a comissão a propor agora novo pacotes de ajudas à renúncia), a reforma da OCM do açúcar "correu bem" em Portugal.

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