Centro Tecnológico das Indústrias do Couro quer reduzir impactos ambientais
O Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC), em Alcanena, tem em curso uma série de projectos que visam reduzir o impacto ambiental provocado por esta indústria e criar novos produtos. Alcino Martinho, director-geral do CTIC, diz que o crómio (metal poluente), pelas suas propriedades resistentes, vai certamente manter-se nesta indústria por muito tempo, sobretudo para peles que se destinam ao calçado.Mas começam a surgir alternativas mais amigas do ambiente, usadas em material com menos exigência de resistência, como o vestuário ou a indústria automóvel, ou destinado a nichos de mercado, como o calçado para bebé e juvenil. "As enzimas começam a surgir como produtos alternativos aos químicos, que têm impactos na pele e no ambiente", disse.Entre os cinco projectos de inovação e desenvolvimento iniciados este ano pelo CTIC, conta-se a utilização de uma substância extraída de um resíduo da indústria alimentar - carapaças dos crustáceos - no processo de curtição das peles, reduzindo o recurso ao crómio. Desenvolvido em conjunto com a empresa Indutan, Comércio e Indústria de Peles e com o Departamento de Engenharia Química do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), o resultado do projecto poderá ter "um impacte muito positivo ao nível ambiental", quer pela redução do uso do crómio quer pela valorização de um resíduo.O ISEP está a estudar a modificação química do quitosano e dos taninos vegetais, cabendo ao CTIC desenvolver os processos de curtume para aplicação desses produtos e à Indutan (do grupo Inducol) fazer a validação dos processos desenvolvidos. A Inducol está a colaborar numa outra experiência-piloto na sua estação de tratamento de águas residuais (ETAR), onde vai ser instalada uma unidade que cria uma "zona húmida artificial", com recurso a plantas, que vai ajudar na depuração dos efluentes dos curtumes, aumentando "o nível de segurança das descargas para cursos livres de água".O projecto conta com a colaboração da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, que apoia o CTIC na selecção das plantas e na realização dos testes em vasos que visam avaliar a capacidade das plantas na remoção de poluentes, bem como na instalação e controlo da unidade-piloto na Inducol.Em parceria com o ISEP e a empresa Indinor, Indústrias Químicas, o CTIC está a tentar ainda desenvolver tecnologias que permitam encontrar processos de curtume isentos de crómio. "Esta indústria criou fama ao nível dos impactos ambientais, mas é um sector disposto a investir" para reduzir os seus efeitos, afirmou.Quinze anos de investigaçãoFundado em 1992 para intervir tecnologicamente no sector dos curtumes, área em que tem em curso vários projectos de investigação e desenvolvimento, o CTIC presta actualmente outros serviços às empresas. O centro lidera um projecto de âmbito europeu na área da formação, que envolve 4.000 empresas de nove países e que passa pela elaboração de um conjunto de ferramentas de auto-formação, auto-diagnóstico e auto-avaliação para profissionais do sector dos curtumes, estando a desenvolver uma plataforma de e-learning, salientou Alcino Martinho.Com um total de 25 funcionários, na sua maioria com formação superior, o CTIC faz ainda certificação, análise de produtos e águas, intervindo em toda a área ambiental (ruído, tratamento de efluentes, fumos), tendo evoluído nos últimos anos para o sector agro-alimentar, desde o controlo fitossanitário até à gestão e boas práticas agrícolas, acrescentou.Além dos cinco projectos de investigação iniciados este ano, entre os quais o Microcouro (microencapsulamento no desenvolvimento de artigos de couro inovadores), o CTIC terminou dois projectos a que Alcino Martinho atribui particular importância, o Verica (utilização de resíduos para a produção de biogás) e o Reciclar (aproveitamento de efluentes da indústria corticeira).O primeiro aguarda investimentos (superiores a 5 milhões de euros) para aproveitamento industrial e o segundo, concluído há uns meses, espera a aplicação no terreno depois de ter revelado que os efluentes da cozedura da cortiça têm interesse no processo de curtume, permitindo substituir outros produtos, nomeadamente alguns importados de fora da Europa, disse.
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