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Quando a arte e a política andam de mãos dadas

Quando a arte e a política andam de mãos dadas

Isabel Carlos e Alexandre Pomar foram convidados do Museu do Neo-Realismo
Edição de 03.04.2008 | Cultura e Lazer
Arte e política têm uma relação intrínseca e andam quase sempre de mãos dadas. Quem o diz são os críticos de arte Isabel Carlos e Alexandre Pomar. A organizadora de exposições e o jornalista do semanário Expresso (de 1983 até 2007) foram os convidados da quarta e última sessão da temática “Arte e Política: Perspectivas Contemporâneas” que decorreu domingo, 30 de Março, no auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. Durante cerca de duas horas os oradores convidados debateram, perante uma audiência de cerca de duas dezenas de pessoas, a relação entre Arte e Política, e trocaram opiniões sobre o tema.Isabel Carlos é de uma geração a quem ensinaram no secundário que tudo é política. A curadora tem dificuldade em pensar que a arte é uma esfera isolada ou independente do social e do político. A actividade humana é política e muitas das decisões são baseadas nesse pensamento. “Recentemente participei num prémio chamado “Artes Mundi”, em Inglaterra, onde tínhamos que escolher oito artistas contemporâneos. Sei que quando escolho uma mulher oriunda do Afeganistão é um acto que não será, propriamente, isento ou neutro e que terá sempre uma leitura política”, explica.Alexandre Pomar acredita que a relação entre arte e política é inegável embora defenda que é uma relação como forma de vanguarda e, como tal, muda em várias direcções. “Existem sempre duas vanguardas. Uma que coloca a arte ao serviço da transformação social e a outra é a arte pela arte”, afirma.O crítico de arte assegura ainda que, actualmente, quem paga a arte é o mecenato empresarial, ou seja, as grandes empresas. Pomar garante que sempre que se constata que existe imensa arte política por todo o lado é porque existe um enorme isolamento entre a produção artística, a população, os visitantes e os consumidores.Isabel Carlos aproveitou a sessão para chamar a atenção para o facto de a Europa não estar ainda a fazer a história da arte do século XX. E lembrou que os americanos são os únicos que estão a fazer o seu trabalho.Questionada por um elemento da plateia sobre se devem existir ou não subsídios para os artistas, Isabel Carlos mostrou-se prudente afirmando que esse é um tema polémico. Na sua opinião reconhecer o estatuto do artista depois de uma única exposição individual dando-lhe logo uma mensalidade é perigoso. Mas a curadora independente também não concorda com o modelo de deixar tudo entregue ao mecenato. “Penso que o mais razoável será o modelo misto. Acredito que, por vezes, seria bom que o Estado desempenhasse um papel activo nesta regulação que, posteriormente, leva ao reconhecimento do artista”, afirma.Para Alexandre Pomar os subsídios são uma invenção que não consegue entender. Defende a atribuição de subsídios de mérito cultural para artistas com carreiras significativas e que, em algum momento ou situação, deixem de poder competir no sistema normal das artes. “Agora aqueles artistas que achem que têm um direito suplementar uma vez que se entregam a algo que eles consideram uma necessidade especial não justifica que mereça um subsídio. Todas as pessoas na sociedade têm as suas necessidades especiais e não entendo porque é que algumas acham que devem ser subsidiadas”, interroga.
Quando a arte e a política andam de mãos dadas

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