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Abandonou a escola para se dedicar à mecânica

Abandonou a escola para se dedicar à mecânica

Carlos Campino ganha a vida a tratar da saúde aos automóveis

Aos 14 anos decidiu abandonar a escola e entregar-se à vocação que pulsava desde a infância. Foi aprender mecânica numa oficina, trabalhou na Opel e hoje está estabelecido por conta própria.

Edição de 03.04.2008 | Identidade Profissional
Carlos Campino passou grande parte da vida profissional ligado ao mundo dos automóveis, da qual dedicou 15 anos à área de manutenção da fábrica da Opel, em Azambuja. Seis meses antes da unidade industrial encerrar, em 2006, fixou-se como mecânico no Reguengo, freguesia de Vale da Pedra, concelho do Cartaxo, terra onde nasceu e foi criado.Foi com 14 anos que quis aprender mecânica. Saiu da Escola Secundária do Cartaxo no nono ano por estar cansado de aprender coisas que não interessavam para a vida que queria fazer – ser mecânico de automóveis. “Sempre gostei de mecânica e de carros. Quando era mais novo também adorava bicicletas. Cheguei a desmontar algumas. O pior era voltar a montá-las”, recorda com um sorriso.Esteve ano e meio a trabalhar numa oficina de carros no Cartaxo. Depois passou mais cinco anos e meio numa empresa do Reguengo na área da manutenção. Passou dois anos a trabalhar como mecânico por sua conta e outros 15 anos na fábrica da Opel, na Azambuja. Carlos Campino nunca deixou de estar colectado para exercer a actividade de mecânico que reassumiu em pleno desde há dois anos. Ao contrário de outros tempos mais folgados, Carlos Campino vai dizendo agora que vai havendo trabalho. Procuram-no os particulares e também algumas empresas com frotas de viaturas. Vêm maioritariamente do concelho mas também de fora, mesmo de Lisboa, fruto dos conhecimentos que ganhou nos anos em que trabalhou na Opel.Porque o trabalho é uma aprendizagem constante, o mecânico frequenta com alguma regularidade cursos de aprimoramento técnico. Renovação de conhecimentos acerca do funcionamento de embraiagens, injecções, e outros componentes do carro, com a duração de 30 a 60 horas, para estar apto a responder às solicitações de clientes com diferentes marcas de automóveis e à evolução da tecnologia.À oficina chegam com mais frequência problemas relacionados com travões, embraiagens, juntas de cabeça do motor e correias de distribuição. Há mais homens que mulheres entre os seus clientes e Carlos Campino reconhece que, em matéria de automóveis, a ideia de que o homem é mais entendido que a mulher ainda se aplica. “Mas há muitas mulheres que já sabem fazer o essencial para ter uma viatura em bom estado, como verificar o nível de água e de óleo. E para quem não sabe não custa nada aos maridos explicar”, diz com um sorriso. Mas também constata que nos tempos actuais grande parte dos particulares só recorre ao mecânico quando o carro tem de ir à inspecção anual ou já foi e levou um “chumbo”. “Anda tudo a economizar e a encolher-se”, acrescenta. A situação verifica-se também quando o cliente não quer aplicação de peças novas e sugere o aproveitamento de material de sucata. “A médio ou longo prazo o problema há-de voltar nesses casos”, analisa o mecânico.Na oficina, na rua José Carvalho e Silva, Carlos Campino tem o essencial para a sua actividade: compressor, máquina para tirar óleo e máquina de diagnóstico da viatura. A par de todas as ferramentas necessárias para mexer dentro do capô e detectar situações mais complexas. Aliás, a disponibilidade é uma das constantes da vida de um mecânico. Apesar de existir a assistência em viagem há sempre quem liga para o mecânico amigo ou conhecido para ser “desenrascado”. E os domingos que ficam guardados para a esposa e os dois filhos de Carlos Campino ficam às vezes comprometidos.O mecânico diz não estar arrependido da opção de vida que tomou. Gosta da actividade com que sempre contactou, apesar das preocupações que lhe dá. Questionado se gostava que os filhos lhe seguissem as pisadas e o negócio, Carlos Campino diz que cada qual faz as suas escolhas mas que não se importa que um dia peguem nas ferramentas e vistam o fato de macaco.
Abandonou a escola para se dedicar à mecânica

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