
No meio de pinheiros e sobreiros vivem duas famílias
No meio de pinheiros e sobreiros vivem duas famílias em casas de piso térreo no lugarejo da Figueira Nova, freguesia de Coruche. Não há mais de uma dúzia de casas separadas por caminhos de terra. Os poços garantem o abastecimento de água e a recolha de lixo efectuada na Salgueirinha podia avançar umas centenas de metros até ao casario disperso. Os transportes públicos apenas chegam duas vezes por dia em tempo de aulas para abrir oportunidades de ir à sede de concelho resolver assuntos.João António Galinha, 74 anos, vive na Figueira Nova há 15 anos com a mulher. Natural de S. José da Lamarosa, viveu em Coruche e encontra-se reformado. “Vou vivendo a vida, como se pode, com uma reforma que não chega a 300 euros e a da minha mulher é de pouco mais de 100 euros. O que mais queria era ter abastecimento de água e serviço de ambulância, pois preciso de ir muitas vezes ao centro de saúde”, refere o anfitrião, enquanto patos e galinhas vão bicando a erva à solta e o “Raposo”, cão que acolheram, vai ladrando ao forasteiro. José Manuel Laranjo, desempregado, 55 anos, vive com a mulher na casa do lado. O espaço exterior é partilhado pelas famílias, tal como os recursos. Seja a lenha para se aquecerem ou as couves que vão crescendo. “Vou esperando uma proposta de trabalho que surja. Não querem ninguém para qualquer trabalho”, diz.A acalmia que se vive e a ausência de sinais da “civilização” apenas é quebrada pela vista e som das composições que ocasionalmente passam na linha ferroviária Setil-Vendas Novas. Poucos metros ao lado, uma vivenda rústica de fim-de-semana mostra como há quem queira, por momentos, viver fora do bulício citadino. Ricardo Carreira

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