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Bolo de noiva continua a ser tradição no Vale do Paraíso

Bolo de noiva continua a ser tradição no Vale do Paraíso

Especialidade vai estar à venda nas tasquinhas da freguesia de 2 a 5 de Outubro

O bolo de noiva continua a ser tradição nas bodas do Vale do Paraíso, concelho de Azambuja. O doce, amassado por especialistas da aldeia e cozido em forno de lenha, vai estar à venda nas tasquinhas da Paraísabor de 2 a 5 de Outubro.

Edição de 01.10.2009 | Sociedade
Há quem lhes chame bolos de noiva. Têm forma de ferradura e nasceram para ser oferecidos como brinde aos convidados em dia de casamento em tempos mais antigos. No Vale do Paraíso, concelho de Azambuja, a tradição resistiu nas últimas décadas e ainda se mantém – em dia de casamento e até na mostra gastronómica da freguesia.“Era uma forma graciosa dos pais da noiva e do noivo oferecerem um brinde aos seus convidados. Uma semana antes faziam-se os bolos que eram mantidos em arcas de madeira e colocados em frente de cada pessoa no dia do casamento”, explica o presidente da direcção da Associação do Centro de Dia para a Terceira Idade de Nossa Senhora do Paraíso, José Eduardo Pereira.A instituição, que acolhe os seniores da freguesia em centro de dia e na valência de apoio domiciliário, vai ter o doce em destaque nas tasquinhas da freguesia. Cada unidade custará um euro e poderá ser vendida com um saco de pano confeccionado pelas utentes da instituição. Pouco mais de uma semana antes da mostra gastronómica (que decorre de 2 a 5 de Outubro, ver caixa) cinco voluntárias reúnem-se para confeccionar as iguarias. Este ano a produção dos mil bolos foi dividida em dois dias para tornar mais leve a tarefa que é sinónimo de gastar muita energia a amassar os bolos e a trabalhar perto de um forno a altas temperaturas. O bolo é confeccionado com farinha, casca de limão, fermento, canela e açúcar louro. “Faz-se uma calda num tacho com açúcar, casca de limão, um pouco de água, azeite e manteiga. Depois aquela calda ferve e vamos pondo a farinha e amassando com as mãos”, explica Maria Luísa Quitério, 50 anos, uma das especialistas da arte de confeccionar o bolo, cuja receita tem passado de boca em boca. “O segredo está no amassar”, sintetiza. O líquido não pode ser em demasia para a massa não ficar mole. “Não expliques tudo”, avisa uma conterrânea mais cautelosa. Maria Luísa hesita, mas continua: Corta-se às tiras, dobra-se em forma de ferradura e coloca-se em tabuleiro para ir ao forno. Antes, ainda leva alguns cortes com uma tesoura para ganhar forma e é pincelado com gema de ovo.Em vésperas de casamento os bolos também eram oferecidos aos vizinhos com um prato de arroz doce. “As pessoas acabavam por dar sempre qualquer coisa em troca”, lembra Maria Luísa. “No meu tempo davam quinhentos escudos”, exemplifica. “Ou uma galinha”, lembra Ana Pereira. Os padrinhos dos noivos recebiam um pão-de-ló, arroz doce e uma travessa destes bolos, lembram as doceiras. “É bom com o café das velhas”, aconselham. Tal como Maria Luísa Quitério, também Ana Pereira, 51 anos, Marlene Isidro, 71, Elvira Serrano, 52, e Luzia Melo, 54, ajudam a confeccionar os doces. Há uma manta a tapar os bolos quentes, acabados de sair do forno, colocados num cesto forrado com pano branco. As especialistas garantem que não é requisito essencial que o cobertor seja típico, mas manda a tradição que o forno não se abra muitas vezes. Paraísabor anima aldeia no fim-de-semana A Paraísabor, uma mostra gastronómica que é já uma referência no concelho de Azambuja, vai animar a freguesia de Vale do Paraíso de 2 a 5 de Outubro. A quarta edição da mostra é da responsabilidade da Junta de Freguesia de Vale do Paraíso em colaboração com as associações locais e com o apoio da Câmara Municipal de Azambuja. As ruas são decoradas a rigor pela comunidade local que não se poupa a esforços para receber quem visitar a freguesia. A música e as tasquinhas com as iguarias típicas, com destaque para o Festival do Torricado, completam a oferta. No dia 2, sexta-feira, pelas 19h00, realiza-se a abertura oficial da festa com a fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja seguindo-se um momento musical a cargo de “Miguel ZI”. No dia 3, sábado, as tasquinhas abrem às 12h00 e a festa prolonga-se com uma grande noite de fado a partir das 22h00. No dia 4, domingo, a abertura das tasquinhas acontece igualmente às 12h00 e pelas 16h00 actua a Banda da Música do Associação Desportiva e Recreativa “O Paraíso”. “Som Latino” anima a noite a partir das 22h00. No dia 5 de Outubro, segunda-feira, as tasquinhas abrem a partir do meio-dia e até às 22h. Durante a tarde actua o Rancho Folclórico Danças e Cantares de Vale Paraíso, a partir das 16h00.
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