uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Um melro chamado Chico é a mascote do bairro residencial de Vale de Judeus

Um melro chamado Chico é a mascote do bairro residencial de Vale de Judeus

Todos os anos a população organiza uma festa para assinalar o aniversário do pássaro

Um melro chamado Chico é a estrela do bairro residencial do estabelecimento prisional de Vale de Judeus, em Alcoentre, concelho da Azambuja.

A casa do melro Chico – que fica a pouca distância de um estabelecimento prisional de alta segurança- é a prisão mais pequena de Vale de Judeus, em Alcoentre, concelho de Azambuja, mas o serviço que o pássaro recebe é digno de cinco estrelas e melhor do que em muitos hotéis. Tem água limpa todos os dias, a gaiola é lavada com frequência e a ração que come é das melhores do mercado. O Chico, mascote do bairro residencial de Vale de Judeus, tem inclusivamente um morador que vai com frequência apanhar minhocas para que o pássaro se possa deliciar no “Poleiro do Chico”, que fica à beira de um jardim. “E não gosta de qualquer fruta, só lhe damos pêras e cerejas. Não há muitas pessoas tratadas desta maneira”, garantem os moradores do bairro, onde mora o pássaro mais conhecido da zona.Claro que muitos dos apetrechos do Chico são apenas brincadeira, como as câmaras de filmar ou a televisão por satélite, mas tudo isso faz parte do “culto do Chico”, um pequeno Melro com seis anos que caiu de um ninho quando era pequeno.“Foi um velhote, chamado José Ventura, que me deu o pássaro. Ele tinha uma vinha onde existia um ninho de melros. O Chico caiu do ninho quando era pequenino e foi-me oferecido para que pudesse cuidar dele. E é isso que estamos a fazer”, conta José Luís, morador a O MIRANTE.Só a gaiola onde hoje vive o Chico (nome que surgiu por mero acaso) custou 700 euros. “As pessoas começaram a engraçar com o animal e cada uma foi decorando o espaço e oferecendo acessórios. “Nos últimos anos temos feito a festa do Chico, sempre que ele faz anos”, refere o nosso interlocutor.Todos os anos, no aniversário do pássaro, realiza-se uma enorme festa de aniversário com mais de uma centena de pessoas. “Já tentámos arranjar uma companheira para o Chico, a Matilde, mas ele matou-a”, conta António Barbosa, outro morador. “Por isso é que está dentro da jaula, está a cumprir pena”, ironiza. O pio do pássaro é que poderá condená-lo à morte num futuro próximo. É que, segundo os moradores, aos primeiros raios de sol o Chico não pára de dar ao bico. E algumas pessoas já disseram que gostam de algum silêncio de madrugada. “Quase todos os dias é isto. Ele canta de dia e de noite. Às 5h30 acorda toda a gente no bairro”, conta Fernando Mesquita. O tempo de vida de um melro ronda os 14 anos. Quem já ganhou amor ao bicho nem quer pensar na hora da partida. “Quando isso acontecer vai ser difícil. No início do ano, quando veio o mini-tornado, estive meia hora aqui fora a segurar a gaiola senão ia tudo pelos ares. Acabei por colocar umas estacas e atar umas cordas para ela não voar”, conta José Luís.Uma tertúlia, chamada “Bar do Chico”, mantém nas paredes todas as lembranças do animal, incluindo as memórias do primeiro dia no bairro. “É uma paixão que temos aqui, é quase um culto do Chico”, confessam os moradores.
Um melro chamado Chico é a mascote do bairro residencial de Vale de Judeus

Mais Notícias

    A carregar...