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Fátima Faria Roque

Técnica superior de comunicação, 46 anos, Vila Franca de Xira

Num ano de alguma contenção económica avisei as pessoas da família que não haveria prendas. Ofereci-lhes uma coisa feita por mim. A minha cunhada disse-me que tinha sido a melhor prenda que tinha recebido da minha parte até então. Dediquei-lhe um texto.

Como vai ser este Natal?Este ano, pela primeira vez, acho que vamos ter um Natal com uma magia mais verdadeira. Vou tentar reduzir custos, como todos os funcionários públicos, que estão a viver essa tremenda injustiça. Não escondo que me dá muito prazer pensar em determinada prenda para oferecer àquela pessoa especial sabendo que ao longo do ano já temos que fazer tantas restrições… Já ofereceu alguma coisa feita por si?Já fiz isso e este ano estou a pensar voltar a fazer. Num ano de alguma contenção económica avisei as pessoas da família que não haveria prendas. Ofereci-lhes uma coisa feita por mim. A minha cunhada disse-me que tinha sido a melhor prenda que tinha recebido da minha parte até então. Dediquei-lhe um texto. Esta geração está a pagar pelas escolhas que fez?Estamos a pagar pelas escolhas que fizemos mas também pelas coisas que nos incutiram. Fomos educados na ideia de que seria bom comprar casa e não alugar como tinham feito os nossos pais. Passaram-nos a ideia de que se não comprássemos uma casa poderíamos não a ter no futuro. Hoje agiria de outro modo mas não é fácil voltar atrás. Os jovens já terão uma perspectiva diferente?Serão forçados a isso. O que me assusta é o facto de não termos nada para dizer aos nossos jovens como dizia George Steiner a António Lobo Antunes. O fascismo, o comunismo, o socialismo, o socialismo, mau ou bom, tiveram alguma coisa para dizer a muita gente. Estou convencida de que estamos a viver um momento de viragem. Tem por hábito reciclar peças de roupa do armário?Sem dúvida. Cada vez mais sou menos fanática de modas. Criei determinado estilo pessoal e sabe-me bem ser prática. Tenho vindo a perder algumas pequenas vaidades de que todas as mulheres gostam, como ir mais vezes ao cabeleireiro. Agora temos que pensar duas vezes. Por que razão as pessoas não entram mais nos museus?Poderá haver várias razões. Uma tem que ver com o facto de algumas pessoas não saberem que a entrada é gratuita. Algumas pessoas ainda desconhecem e poderão ter vergonha de perguntar. Por outro lado não tivemos educação para a cultura em Portugal. E se tivesse que escolher o livro da sua vida? “Ensaio sobre a lucidez” de José Saramago. É um livro que todos deveríamos ler nos dias de hoje. Eis que a população de um país decide votar em branco. Qual é a viagem que tem vontade de fazer?Gostava de conhecer Veneza mas também São Tomé e Príncipe porque tenho lá a viver neste momento a minha filha. Queria também conhecer Marrocos que imagino como um grande mercado ao ar livre com muitos cheiros, especiarias, tecidos e confusão. Isso fascina-me.

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