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Antigos cartazes publicitários e objectos promocionais de marcas associadas à Chamusca

Antigos cartazes publicitários e objectos promocionais de marcas associadas à Chamusca

Exposição no Centro de Artesanato até 27 de Maio com muitas curiosidades e raridades

Cartazes de promoção dos produtos da já extinta fábrica Spalil, a primeira fábrica de transformação de tomate do país, a par de objectos recentes como a fita com a frase “Estou em Ascensão” que promove desde há anos a festa anual da Chamusca.

Edição de 11.04.2012 | Cultura e Lazer
No nº 9 do Largo Vasco da Gama, no centro da vila da Chamusca, entre o friso de pedra onde assenta a guarda em ferro forjado de um varandim e a placa com o chamado número de polícia, está um painel de azulejos com uma informação publicitária que reza assim: “José Maria Paes Fazendas de Lã, Algodão e outros artigos - Chamusca 1899”. É uma fotografia desse pormenor que serve de fundo ao anúncio da exposição “Memórias da Publicidade” que vai ficar no edifício do Centro de Artesanato da vila até 27 de Maio.As diversas exposições de coleccionismo realizadas na Chamusca são da autoria do coleccionador de antiguidades, Sérgio Morais da Conceição Carrinho, um cidadão que ocupa há mais de trinta anos o cargo de presidente da câmara. É ele que nos serve de guia pelas “Memórias da Publicidade”.Um dos espaços é ocupado com materiais referentes à Sociedade de Produtos Alimentares Luso Italiana Ldª, conhecida por Spalil. A fábrica da Chamusca, inaugurada em 1938 foi a primeira a nível nacional de conservas de tomate, frutos e legumes. O cartaz publicitário do “Triplo Concentrado Salutar” está em destaque bem como uma fotografia com todos os produtos daquela indústria, que fechou em 2002.Sérgio Carrinho trabalhou na Spalil durante uma década. Dos 16 anos aos 26. Tem na memória dados e datas. “Nos três meses da campanha do tomate de 1969 trabalharam na fábrica 519 pessoas. A maioria vinha do Alentejo. Era eu que lhes ia pagar os ordenados. Conheci muita gente. Ficavam alojados nos armazéns”. Há um desenho da fábrica, a lápis de cera, assinado por Linda Marques. Um pregadeira “design” com as iniciais Spalil. “Era usada nas batas pelas funcionárias, explica.Os tempos eram outros. A fábrica tinha uma grande ligação à comunidade. “Durante a guerra colonial, nos anos sessenta e setenta, quando alguns militares vinham de férias e as famílias queriam mandar enchidos e queijos em azeite para os filhos que tinham ficado em África, era à Spalil que recorriam para fechar hermeticamente as latas”, conta Sérgio Carrinho.Ao lado do bloco da Spalil estão objectos relacionados com a Tipografia Persistente, uma empresa fundada em 1928, que é um caso de estudo em termos de adaptação ao longo dos tempos às novas tecnologias e às exigências dos marcados. Uma jovem com um cão, sentada na relva em ambiente de campo com um rio em fundo é o cartaz que se destaca. A maioria dos materiais existentes na exposição são propriedade de Sérgio Carinho. Uns foram-lhe oferecidos por amigos. Grande parte foram comprados por si, por vezes por preços que lhe provocaram duros reparos da esposa. Os olhos dos visitantes perdem-se em mil e uma curiosidades e raridades. Um mostruário de tecidos para colchões de palha; uma caixa de palitos em cartão com publicidade ao armazém de víveres de Manuel Valério S. Moedas; três garrafas com rótulos da fábrica de gasosas e refrigerantes da Ramalha na Carregueira, que funcionou até aos anos oitenta; dois rótulos da Farmácia Imaginário relativos a produtos que ali eram preparados como Água de Sublimado e Limonada Citro-Magnésia; um anúncio de um jornal do século XIX da casa António Jorge Neves, anunciando bicicletas das melhores marcas a preços que variavam entre os 25 e os 60 mil réis.Não há só coisas antigas expostas no Centro de Artesanato. Algumas curiosidades mais recentes estão também expostas. Um calendário de 2012 editado pela maior loja de produtos chineses do concelho, a loja “Boa Sorte”, com a indicação dos signos chineses e a famosa fita vermelha que toda a gente gosta de usar na cabeça durante a semana da Ascensão, com a frase de marketing “Estou em Ascensão”, criada pelo vice-presidente da câmara Francisco Matias, que foi devidamente registada para evitar utilizações abusivas.
Antigos cartazes publicitários e objectos promocionais de marcas associadas à Chamusca

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