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Inelutável Manuel Serra d’Aire

Edição de 11.04.2012 | E-mails do outro mundo
Nestes tempos pascais e após a renúncia imposta pela Quaresma (e pela troika, mas essa dura mais de 40 dias) aos prazeres da carne não posso deixar de salientar o assalto feito a um talho de Fazendas de Almeirim de onde, segundo o dono, levaram, entre outras peças, um porco e meio e dois carneiros. Para a Igreja Católica a Páscoa significa a ressurreição e os meliantes, provavelmente crentes acérrimos, depois de passarem fome de cão nos últimos tempos seguiram à letra o espírito da época e ressuscitaram os seus depauperados sistemas digestivos com tanta carnunça. O ex-deputado António Gameiro apresentou-se como candidato à distrital de Santarém do PS e o único comentário que posso fazer é que o político de Ourém está em perfeita consonância com o líder nacional António José Seguro, a quem em tempos classificaram como o jovem mais velho de Portugal. O ar sereno, pachorrento, beatífico até, de Gameiro garante que vai haver perfeito entendimento com o líder nacional e que as reuniões entre ambos, entre um chá de camomila e biscoitos, deverão proporcionar bons momentos de sono a quem nelas participar ou assistir.Carismático Manel também eu participei com fervor patriótico na manifestação das freguesias em Lisboa. Como nesse dia jogava lá o Benfica com o Braga aproveitei a boleia de autocarro para ir ver o jogo e só tive de pagar a volta. Diz lá que não foi um bom negócio? Além disso, havia por lá pinga da boa e febra a condizer, embora não propriamente assada (uma falha imperdoável da organização!). Quando chegámos ao Rossio ia jurar que vi o ministro Miguel Relvas escondido no interior da pastelaria Suíça, atemorizado perante o cortejo de ranchos folclóricos, gaitas de foles, bombos e garrafões de 5 litros que o cercavam. O Portugal profundo inspira respeito, como tu bem sabes, e para quem está habituado a lidar tu cá tu lá com brasileiros, chineses e angolanos engravatados custa sempre um bocado descer à terra e voltar a sentir o cheiro do húmus da nossa ruralidade e do sovaco do lusitano plebeu. O ministro Relvas que não se esqueça da Maria da Fonte, como já aqui avisei...A Câmara do Cartaxo ainda não sabe como vai pagar a parte que lhe cabe do parque central, obra do regime inaugurada pelo Presidente da República há meio ano e que, entre outras valências, tem um parque de estacionamento subterrâneo que nunca mais abre. Como diz o povo, contar com o ovo no cu da galinha às vezes dá para o torto e em vez do ovo sai aquilo que a gente sabe... Foi o caso. A autarquia então presidida pelo economista Paulo Caldas contava com crédito bancário para pagar a conta e levou tampa da banca pelo que, agora, o seu sucessor vai tentar liquidar o calote ao empreiteiro pagando a prestações. Perante este filme só me ocorre dizer uma coisa: viva o poder local (e central) democrático que tais episódios produz. Se não fosse ele, onde iríamos buscar inspiração e temas para alimentar esta secção.Cumprimentos pascais do Serafim das Neves

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