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Sem abrigo desapareceu de Samora depois de levantar cheque do Rendimento Social de Inserção

Sem abrigo desapareceu de Samora depois de levantar cheque do Rendimento Social de Inserção

Alguns habitantes chegaram a criticar o presidente da Junta por este ter resistido a passar atestado de residência

Depois de conseguir o Rendimento Social de Inserção (RSI), o sem abrigo desapareceu, provavelmente porque não estava interessado em cumprir as exigências necessárias para continuar a receber apoio.

Edição de 11.04.2012 | Sociedade
O sem abrigo que apareceu em Samora Correia em Outubro do ano passado e que gerou um movimento de solidariedade que fez com que algumas pessoas chegassem a criticar a presidente da Junta de Freguesia por não lhe querer passar um atestado de residência, desapareceu sem deixar rasto. O atestado de residência acabou por ser passado, apesar de o homem viver na rua e foi fundamental para o mesmo começar a receber o rendimento social de inserção no valor de 240 euros mensais. Levantado o segundo cheque nunca mais ninguém o viu. Os moradores que inicialmente ajudaram Augusto Silva de 46 anos, tinham deixado de o fazer em Fevereiro quando perceberam que ele não queria sair da rua. No piso térreo de um prédio embargado, logo à entrada de Samora Correia, ainda permanece a tenda onde o homem dormiu nos últimos seis meses. Está agora aberta e coberta de pó. No centro da cidade, diz-se que alguém o terá visto no último fim-de-semana perto do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. “Em Fevereiro ele recebeu cerca de 580 euros. Nós arranjámos-lhe um quarto aqui em Samora por 110 euros com água e gás incluídos. Até nos oferecemos para dar os alimentos para ele poder cozinhar, mas não aceitou”, conta magoada Maria Santos. O sem-abrigo terá respondido, nas palavras da moradora, que queria uma casa só para ele e que assim não aceitava. A partir dessa altura, alguns casais que estão ligados ao Centro Cristão Vida Abundante de Benavente cortaram automaticamente com todas as ajudas que não eram poucas. Maria Santos e mais dois casais asseguravam diariamente o almoço e o jantar. “Uns deram a tenda completamente nova, outros um par de botas novas e roupa então nem se fala”, revela a moradora que também lavava e passava toda a roupa do sem abrigo. Na rua era comum encontrar vários comerciantes a oferecer um café ou cigarro a Augusto Silva que conquistou a simpatia de todos.O primeiro dinheiro que recebeu também parece ter voado num instante. “Ele ainda almoçou e jantou aqui num café alguns dias depois de receber e vimo-lo a beber cervejas numa esplanada mas rapidamente nos apercebemos que tinha ficado novamente sem nada”. Sem dinheiro e sem o apoio das pessoas, o sem abrigo começou a aparecer cada vez menos no centro. Levantou ainda o último cheque do RSI correspondente ao mês de Março que foi enviado para um café de Samora, com o consentimento da proprietária, e a partir daqui desapareceu. Maria Santos não se sente enganada, apenas desiludida perante a “ingratidão”. “Continuo a achar que ele é uma pessoa de bom carácter. Vimos isso em várias situações. Quis-me até pagar a água que eu gastei para lavar-lhe a roupa. O problema é que no fundo nunca quis mudar de vida”, conclui. Recorde-se que Augusto Silva dizia ser de Lisboa e contou uma história relacionada com a perda de um emprego que tinha na construção civil e com o despejo da casa onde vivia, informações nunca confirmadas. O presidente da junta, Hélio Justino (CDU), recusou-se no início a passar o atestado de residência por temer que o objectivo fosse apenas obter o RSI, o que acabou por se confirmar, mas acabaria por aceder depois de sensibilizado pelas técnicas de acção social da Câmara Municipal de Benavente. Nos últimos tempos o sem-abrigo foi visto embriagado algumas vezes e a suspeita de que padece de problemas mentais também é cada vez mais forte. “De vez em quando esbracejava ou falava sozinho na rua. Um dia veio contar-me que tinha uma máquina dentro do corpo que não o deixava processar a comida e por isso nunca mais ia comer”, conta Maria Santos.
Sem abrigo desapareceu de Samora depois de levantar cheque do Rendimento Social de Inserção

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