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Conforlimpa avança com insolvência para tentar recuperar empresa

A intenção da administração é travar mais de sete mil despedimentos
Edição de 06.03.2013 | Economia
A Conforlimpa requereu esta segunda-feira a insolvência, com pedido de recuperação do grupo, para travar o “iminente despedimento” de 7.230 trabalhadores, que não receberam o ordenado de Fevereiro, segundo uma nota enviada à agência Lusa.A empresa, com sede em Castanheira do Ribatejo, explica que a acção, entregue no Tribunal do Comércio de Lisboa, é o “único meio” para suspender a execução do arresto da facturação “presente e futura” da Conforlimpa (Tejo), decretada pelo juiz, no processo em que o presidente do grupo, Armando Cardoso, está acusado de fraude fiscal superior a 42 milhões de euros.A Conforlimpa (Tejo) acrescenta que “ainda não foi notificada dos fundamentos nem da extensão do arresto”, mas que o mesmo já está a “ser executado” através da “cessação imediata da facturação”. Segundo a empresa, trata-se de uma medida “incompreensível” com “consequências catastróficas”, como o risco iminente de despedimento de 8.045 funcionários.“A impossibilidade de a Conforlimpa (Tejo) pagar os salários aos 7.230 trabalhadores, o risco iminente do seu despedimento e, por arrastamento, dos 815 trabalhadores das restantes empresas do Grupo Conforlimpa [cujos salários foram pagos na semana passada]”, são duas das consequências da aplicação do arresto.A empresa frisa ainda que deixa de ter forma de pagar os impostos, nomeadamente o IVA, e as contribuições sociais devidas pela Conforlimpa (Tejo), num valor mensal “superior a milhão e meio de euros”.Além destas implicações, o advogado do grupo empresarial acrescenta à Lusa que pode haver a suspensão dos serviços de limpeza. O grupo tem como principais clientes o sector empresarial do Estado, hospitais, centros de saúde, tribunais e instalações policiais. Artur Marques espera que os funcionários continuem a realizar normalmente o seu trabalho até que o Tribunal de Comércio de Lisboa se pronuncie, o que deve acontecer dentro de três dias.No comunicado, a Conforlimpa garante que tudo fará para “preservar e defender” os 8.045 postos de trabalho, manifesta a “sua solidariedade” para com os milhares de funcionários e espera “evitar a convulsão social provocada pela interrupção do pagamento dos salários e pelo despedimento dos seus trabalhadores”.A Conforlimpa é um dos maiores grupos empresariais na área da limpeza. O presidente do grupo empresarial, Armando Cardoso, e mais dez arguidos, estão acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de associação criminosa e de fraude fiscal qualificada, que terão lesado o Estado em mais de 42 milhões de euros.O MP deduziu um pedido de indemnização cível, em representação do Estado português, pelos mesmos valores apurados na alegada fraude. Além disso, o MP propôs ainda ao juiz de instrução criminal o arresto preventivo de património de alguns dos arguidos e empresas, por fundado receio de perda de garantias patrimoniais.Armando Cardoso, considerado pela acusação como o principal arguido, está nesta fase do processo sujeito à medida de coacção de obrigação de permanência na habitação.

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