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Caso das dívidas à Tecnel agita reunião de Câmara de Alpiarça

Caso das dívidas à Tecnel agita reunião de Câmara de Alpiarça

Entrevista de Alberto Gaspar a O MIRANTE origina debate em reunião do executivo. O presidente Mário Pereira chamou a si o assunto e diz que vai mandar apurar responsabilidades.

Edição de 26.02.2014 | Sociedade
O presidente da Câmara de Alpiarça, Mário Pereira (CDU), já pediu aos serviços da autarquia para reunirem informação sobre eventuais obras da empresa Tecnel, Electricidade e Comunicações, Lda., e confirma que nesta altura não existe qualquer dívida registada da autarquia a essa firma. O autarca garante que depois de ter toda a informação sobre o assunto vai elaborar e apresentar uma proposta que será discutida por todo o executivo municipal numa reunião que poderá ser privada, dado a gravidade do assunto. “Esta situação tem que ser esclarecida e o município terá que resolver a questão. Se houve realmente obras feitas sem facturas, os presidentes que estavam cá na altura dos factos vão ter que ser responsabilizados”, declarou Mário Pereira.O assunto foi debatido na última reunião de câmara depois de O MIRANTE ter publicado uma entrevista com Alberto Gaspar, administrador da Tecnel, onde este acusa a autarquia de não ter pago cerca de 50 mil euros de dívidas de duas obras que fez durante o mandato do presidente Joaquim Rosa do Céu (PS) (ver edição O MIRANTE 06-02-2014). O empresário diz que confiou no presidente da autarquia da altura e avançou com a obra sem haver qualquer concurso público e baseado apenas na palavra do autarca.Mário Pereira explicou que o Plano de Saneamento Financeiro (PSF) feito pela autarquia reestruturou toda a dívida do município até 2010 e que esta foi paga na totalidade. “A câmara só paga aquilo que deve e que está registado contabilisticamente. Não pondo em causa o que disse o senhor Alberto Gaspar, e se a sua empresa efectuou alguma obra, a única forma de provar isso será judicialmente. É a única maneira que a autarquia tem de pagar alguma dívida”, afirmou.O vereador independente Francisco Cunha defende que o assunto deve ser esclarecido e que se as obras foram feitas é “justo” que a câmara pague. “As pessoas envolvidas são pessoas de bem mas se a Tecnel fez a obra deve ser ressarcida do dinheiro. Se a empresa não fez a obra, a câmara tem de agir judicialmente. Não pode vir alguém para a comunicação social dizer que a câmara deve dinheiro. Tem que se fazer alguma coisa para resolver o problema”, referiu Francisco Cunha.O vereador socialista, Pedro Gaspar, que trabalha na Tecnel e é filho de Alberto Gaspar, esclareceu que não tem “mandato ou procuração” para interferir em nome da empresa. Sobre as acusações de Alberto Gaspar, diz que “o decoro” o “impede de se pronunciar mais sobre o assunto”, referiu. “Como vereador não vou deixar de defender os interesses dos munícipes”, sublinhou. Contactado por O MIRANTE, o administrador da Tecnel, Alberto Gaspar, prefere não se pronunciar sobre o assunto.OpiniãoO exemplo da TecnelVivemos um tempo sacana para quem tem memória. A política e os políticos continuam a dirigir os nossos destinos colectivos mas já nada é como dantes. Quem tem a nobreza de denunciar corre o risco de ser dado como parvinho. Mais do que nunca o Sistema que está montado é contra os pobres e os corajosos: quem abrir a boca mais do que o Sistema permite é condenado; se não for na Justiça será na carne ou na Honra.O reino dos céus está guardado para os acomodados; para aqueles que se servem do regime ou para aqueles que já se serviram. O inferno espera os resistentes; arderão em lume brando para que as cinzas possam voar a tempo de nada ficar como testemunho.Este caso da Tecnel é um bom exemplo de coragem cívica que merece uma resposta à altura dos actuais responsáveis políticos de Alpiarça. Não estão em causa partidos nem cores partidárias. Nem sequer o defunto político Joaquim Rosa do Céu. O que está em causa é a honra e os valores conquistados no 25 de Abril. No ano em que se comemora os 40 anos da Revolução dos Cravos já não há tempo para voltarmos a visitar escolas e explicar às crianças o que ganhamos com a mudança de regime. Agora é a hora de fazer justiça e não pactuar com os falhados, os que não honram a democracia e os valores da justiça. Jae
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