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“Tento ser genuíno em tudo o que faço e gosto de me colocar no lugar do outro”

“Tento ser genuíno em tudo o que faço e gosto de me colocar no lugar do outro”

José António Almeida, 50 anos, director do Agrupamento “Escolas Verde Horizonte”, Mação

Formado em Filosofia, José António Almeida é o director do Agrupamento "Escolas Verde Horizonte” há quase seis anos. Foi vereador na câmara municipal, eleito pelo PSD, de 2002 a 2009. Diz que tenta ser genuíno em tudo o que faz, colocando-se sempre no lugar do outro a cada momento. É casado e tem um filho com quem vai, muitas vezes, ver o seu Benfica jogar. Diz que se sente amado, acarinhado e reconhecido profissionalmente.

Edição de 10.09.2014 | Três Dimensões
Quase que consigo tratar pelo nome todos os habitantes do concelho de Mação. Estou aqui há 25 anos. A minha mulher é natural da freguesia de Ortiga. Sou natural de Celorico da Beira. Licenciei-me em Filosofia na Universidade do Porto. Casei na parte final da licenciatura. O meu primeiro ano como professor foi no Porto mas no segundo fui colocado em Mação. Concorri em primeiro lugar para Lisboa e em segundo lugar para Mação, porque os meus sogros viviam cá. Ainda estive aqui um ano a viver e a trabalhar sem a minha mulher, que também é professora, o que foi positivo pois tive uma disponibilidade diferente para me integrar na comunidade, que ainda hoje me acolhe.Em criança dizia que, tal como todos os amigos, queria ser jogador de futebol. Mais tarde tive uma fase indiferenciada, porque as expectativas para quem vive numa pequena aldeia da Serra da Estrela não eram tão largas quanto isso. A partir do momento em que fui para o ensino secundário comecei a olhar para a profissão de docente como algo interessante. A professora que mais me marcou foi a do primeiro ciclo. Mesmo quando estava doente levava-nos para casa dela e dava-nos aulas lá. Essa dedicação marcou-me. Tento ser genuíno em tudo o que faço. É uma marca clara da educação que recebi. Toda a minha história pessoal marca aquilo que sou hoje. Fiz um percurso na área da Economia antes de optar pela Filosofia, conhecimentos que foram importantes para a administração escolar. O primeiro contacto com a Filosofia pode ser muito positivo ou muito negativo. Ainda hoje, e cada vez mais, tento perceber onde estou. O que me leva a olhar para os outros com algum cuidado e perceber, depois de também olhar para mim, como é que lhes posso ser útil.Faço sempre uma leitura da realidade que me circunda. Trabalho com uma comunidade de mais ou menos mil pessoas. É preciso um cuidado tremendo para gerir todas estas sensibilidades. Quando vim para Mação conheci uma pessoa que me marcou, que foi o Sr. Elvino Pereira, antigo presidente da câmara. Marcou-me pela verticalidade e pela hombridade com que decidia e no cuidado que tinha na relação com os outros. A seguir ao meu pai, que é o meu grande ídolo (que, infelizmente perdi há três anos), foi a pessoa que mais me influenciou na fase adulta da minha vida.Gosto imenso do que faço. Sou director deste agrupamento há quase seis anos. Tenho uma apetência muito grande pela gestão e, felizmente, tenho conseguido conciliar a parte de docente com a parte de gestão. Tirei uma especialidade e uma pós-graduação em administração escolar que faz com que esteja à frente deste agrupamento de uma forma sólida. Sinto que tenho uma grande responsabilidade que é a de não prejudicar, pela minha ineficácia, o desempenho quer de alunos, quer de professores ou de pessoal não docente.Estive na Câmara Municipal de Mação, entre 2002 e 2009, como vereador a tempo inteiro. Fui eleito pelo PSD e estive como vice-presidente da câmara (entre 2002 e 2005) pelo que dei apenas 12 anos de aulas efectivas. Fui convidado pelo antigo presidente Saldanha Rocha. O PSD é o partido que mais se adequa àquilo que penso em termos de organização social mas não sou um fundamentalista. Se tiver que criticar o meu partido para defender os interesses de Mação, não me encolho. A minha passagem pela vida política foi importante porque vi serem aprovadas, em câmara, algumas centenas de propostas levadas por mim.Tento agir com os outros como gostava que agissem comigo, é esse o meu lema. Deixei a política quando abriu o processo concursal para director deste agrupamento, que tem quase 800 alunos, desde os 3 anos até ao 12º ano e com uma componente de cursos profissionais muito interessantes. Trabalho numa sala juntamente com outros colegas apesar de poder ter um gabinete só para mim. Não quero ter uma escola de solitários mas uma escola de solidários.Tento ser dos primeiros a chegar à escola e sou dos últimos a sair. À noite vejo o correio electrónico antes de me deitar. Levo sempre uma pasta carregada de material para casa embora, por vezes, não tenha disponibilidade para a abrir. Não me prendo a projectos demasiado fechados. Gosto de fazer diferente e, por isso, esta escola tem um conjunto de projectos que mais nenhuma tem, como é o caso do Aluno Cem por Cento (assiduidade, comportamento e aproveitamento). A nossa marca é a qualidade e a inovação.O meu grande escape é o Benfica. Tenho dois lugares no Estádio da Luz há muitos anos e tento, na medida do possível, ir assistir a todos os jogos. Vou sempre com o meu filho. É sagrado. Gosto imenso de passear. As minhas férias de Verão são passadas todos os anos no Algarve e sempre no mesmo sítio, com as mesmas pessoas. Considero que o local para onde vou é o melhor que há e as pessoas que me acompanham também. Nos meus tempos livres gosto de me movimentar na minha zona de conforto. Gosto de comer e de cozinhar pontualmente. Faço uma sangria que é a que mais gosto de todas. Quem a prova também fica rendido. Com uma família que amo e que me ama, realizado, acarinhado e reconhecido profissionalmente, com amigos... Sinto que tenho tudo na vida para ser feliz.Elsa Ribeiro Gonçalves
“Tento ser genuíno em tudo o que faço e gosto de me colocar no lugar do outro”

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