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“Interioridade não pode nem deve ser sinónimo de inferioridade”

“Interioridade não pode nem deve ser sinónimo de inferioridade”

Presidente da Câmara do Sardoal, Miguel Borges, apela ao Governo uma presença mais efectiva no terreno e um olhar direccionado para o que se passa nos territórios do interior.

Edição de 24.09.2014 | Sociedade
Interioridade não é sinónimo de inferioridade e o espectáculo que a Companhia Nacional de Bailado deu na tarde de segunda-feira, 22 de Setembro, no palco do Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, provou isso mesmo. A mensagem foi vincada pelo presidente da Câmara Municipal do Sardoal, Miguel Borges (PSD), no dia das comemorações do feriado municipal de um concelho que, com cerca de 4 mil habitantes, se debate com uma densidade populacional baixa e com dificuldades na fixação de jovens e captação de projectos de investimento. “A necessidade de nos afirmarmos como iguais, num país tendencialmente inclinado para o litoral, obriga-nos a um injusto esforço mas nunca inglório”, disse, perante os convidados da sessão solene, entre os quais os presidentes das Câmaras de Abrantes, Vila Nova da Barquinha e Mação e alguns deputados da Assembleia da República, eleitos pelo círculo de Santarém como Isilda Aguincha, Vasco Cunha e Duarte Marques. O autarca apelou ao governante para que exista “uma política de descriminação positiva, enquadradora de políticas justas” para que, quem viva numa aldeia do Sardoal, se sinta tão português como quem vive em Lisboa.Miguel Poiares Maduro foi convidado a vir ao Sardoal no âmbito das comemorações dos 10 anos do Centro Cultural Gil Vicente, um equipamento cultural que tem sido palco de várias exposições e iniciativas de índole cultural. O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional ficou impressionado com o equipamento, que classificou como “magnífico”, sublinhando que deve servir não só a população do Sardoal como também de toda a região. “No próximo quadro comunitário, o investimento para equipamentos vai estar condicionado a um prévio mapeamento dos equipamentos já existentes. No passado tivemos dois centros culturais, a pouca distância, e depois não existia nenhuma piscina pública”, exemplificou, acrescentando que é necessária uma melhor coordenação a uma escala que supera o município. O governante sublinhou que o Governo tem vindo a adoptar um conjunto de medidas que “diferenciam positivamente” estes territórios para um aumento da atractividade de investimento. Deu como exemplos o recente Código Fiscal para o Investimento, os incentivos à comunicação social de âmbito local e regional e o próximo ciclo de fundos comunitários, “com comparticipações maiores” ao mesmo nível. “Todo o país vai beneficiar se não desperdiçarmos os recursos que existem em cada parcela do território, incluindo no interior e nos territórios de baixa densidade. É isso também que vai ajudar à coesão territorial nacional”, vincou.“Não vão encerrar serviços no interior”, garante o ministroNuma conversa com os jornalistas, o ministro Poiares Maduro destacou ainda o investimento efectuado nos últimos anos na modernização de equipamentos sociais, culturais e outras infraestruturas nos territórios do interior, um investimento que “não foi, por si, suficiente para inverter o processo de desertificação”, tendo assegurado que, com o programa “Aproximar”, não se vão encerrar mais serviços públicos de atendimento nestes territórios. “Antes reorganizamos e racionalizamos o funcionamento da administração, assegurando uma maior proximidade ao cidadão, ao nível municipal e mesmo de freguesias”, defendeu.
“Interioridade não pode nem deve ser sinónimo de inferioridade”

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